Bento XVI encontrará Igreja mais dinâmica e atuante em Cuba

Volta de manifestações públicas de fé é vista como reflexo da visita de João Paulo II à ilha em 1998

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

24 Março 2012 | 20h52

A Igreja Católica em Cuba parece hoje mais viva e atuante do que 14 anos atrás, quando João Paulo II visitou o país. O novo clima de maior participação religiosa dos católicos cubanos deve-se à passagem do papa polonês pela ilha de Fidel Castro em 1998, quando o comandante da Revolução ainda estava bem de saúde e tinha nas mãos as rédeas do poder. Fidel assistiu à missa campal na Praça José Martí, ao lado do altar ornado com um quadro do Coração de Jesus, mas voltado para um imenso painel de Che Guevara.

A cena deve-se repetir nesta quarta-feira, dia 28, com a participação do presidente Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel, que provavelmente não terá condições físicas de comparecer. Essa é apenas uma conjuntura, pois não seria nenhum milagre, mas um gesto até previsível, se o comandante aproveitasse a ocasião para reaparecer em público.

Levantou-se até a hipótese de que, aos 85 anos de idade e convalescente - ou sobrevivente - da doença que o afastou do governo em 2006, Fidel viesse a ajoelhar-se aos pés de Bento XVI, reconvertendo-se à fé cristã de sua adolescência. Hipótese absurda, pois a cena é inimaginável para quem conhece o revolucionário de Sierra Maestra.

Dinamismo. "A visita do papa Wojtyla deu um novo dinamismo à ação pastoral de nossa Igreja", declarou monsenhor José Félix Pérez Riera, em entrevista citada pela agência católica de notícias Zenit, no dia 5 de março. "Foi a primeira vez que a comunidade católica convocou publicamente seus fiéis e falou livremente de Cristo nas praças", disse o monsenhor, secretário adjunto da Conferência dos Bispos Católicos Cubanos. Talvez as multidões não sejam tão grandes como as de 14 anos atrás, mas espera-se que Bento XVI também atraia um público numeroso.

Os católicos que saíram em procissões pelas principais cidades do país, de agosto de 2010 a dezembro de 2011, para acompanhar a peregrinação nacional da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, prepararam-se espiritualmente com orações e jejuns para receber o papa esta semana. Eles atenderão ao apelo feito pela Conferência dos Bispos Católicos, num comunicado divulgado com destaque pelo jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista, numa demonstração de que o governo prestigia a visita de Bento XVI.

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