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Brasil tem uma das duas crateras de impacto habitadas no mundo

- Atualizado: 22 Março 2016 | 14h 30

Estudo de pesquisador da USP comprova que objeto celeste atingiu a zona sul da capital paulista há mais de 5 milhões de anos

A zona sul de São Paulo sofreu o impacto de um objeto celeste há mais de 5 milhões de anos, segundo estudo de Victor Velázquez Fernandez, geólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, uma cratera guarda a memória do impacto desse objeto, provavelmente, um asteroide ou um cometa.

"Em que época aconteceu o evento ainda não temos certeza. Mas ocorreu entre 5 e 35 milhões de anos atrás", explica o pesquisador da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH). A enorme cratera estende-se por uma área de 10,2 quilômetros quadrados. Ela fica a menos de 40 quilômetros do marco central da cidade, a Praça da Sé, na orla sudoeste da Bacia Hidrográfica Billings.

O geólogo e professor da Universidade de São Paulo Victor Velázquez Fernandez

O geólogo e professor da Universidade de São Paulo Victor Velázquez Fernandez

A Cratera Colônia, como é chamada, já havia sido identificada nos anos 1960 através de fotos aéreas e imagens de satélite. Porém, havia dúvidas sobre sua origem. O trabalho, confirmado agora também por análise microscópica, foi publicado no International Journal of Geosciences.

A cratera de impacto existente no Brasil é uma das duas habitadas no mundo. A outra fica em Ries, na Alemanha, onde o homem já vive desde o período paleolítico e que abriga o primeiro geoparque da Bavária. No total, o planeta conta com 188 crateras de impacto catalogadas, sendo apenas essas duas habitadas.

O pesquisador conta que não foi fácil provar que a região, no bairro Vargem Grande, na periferia de São Paulo, onde vivem cerca de 40 mil pessoas, é uma cratera.

"Se pegássemos apenas a estrutura circular existente, como sendo de estrutura de impacto, não seria suficiente cientificamente." Para comprovar, segundo ele, foram necessárias evidências geológicas, como a observação de deformações nas rochas.

O pesquisador Victor Velázquez Fernandez conta que não foi fácil provar que a região, no bairro Vargem Grande, na zona sul de São Paulo, onde habitam cerca de 40 mil pessoas, é uma cratera

O pesquisador Victor Velázquez Fernandez conta que não foi fácil provar que a região, no bairro Vargem Grande, na zona sul de São Paulo, onde habitam cerca de 40 mil pessoas, é uma cratera

Evidências que comprovam a tese do geólogo foram reunidas em 2013, sendo o trabalho concluído no ano passado. Para coletar o material, os pesquisadores aproveitaram as perfurações realizadas na região para analisar o fornecimento de água potável.

As amostras mostram, entre outras coisas, as variações sofridas por minerais como zircão e quartzo. Para transformar esses minerais, é necessária a pressão equivalente a um impacto interplanetário.

Importância. O estudo aponta que é vantagem uma cidade como São Paulo ter uma cratera dessas por perto. "A Cratera de Colônia é um laboratório natural do ponto de vista geológico, biológico e, inclusive, para estudo de impacto ambiental", explica Victor Velázquez.

Ainda não se sabe se o que atingiu o local foi um asteroide ou um cometa. A descoberta foi publicada por Velazquez e colaboradores no artigo Evidence of Shock Metamorphism Effects in Allochthonous Breccia Deposits from the Colônia Crater, São Paulo, Brazil.

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