Buracos negros podem matar galáxias inteiras, diz estudo

Energia liberada pelo mergulho de matéria no abismo afasta o gás que poderia dar origem a novas estrelas

16 Abril 2010 | 15h52

Pesquisadores britânicos determinaram que buracos negros superpesados são capazes de privar galáxias inteiras dos gases necessários para a criação de novas estrelas, deixando apenas as estrelas gigantes vermelhas condenadas ao desaparecimento, e nada para substituí-las.

 

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O estudo, encabeçado por Asa Bluck da Universidade de Nottingham, usou imagens obtidas pelos telescópios espaciais Hubble e Chandra para detectar buracos negros em galáxias distantes.

 

Pesquisadores buscaram galáxias com alto grau de emissão de radiação e raios-X, a assinatura clássica de buracos negros devorando gás e poeira.

 

Imagem de raios-X de Sagitário A*, o buraco negro no centro da Via-Láctea. Chandra/Divulgação

 

O trabalho mostra que, no caso dos buracos negros superpesados, essa radiação atinge níveis enormes, com a emissão de raios-X superando a de todos os demais objetos da galáxia somados. De fato, a energia liberada é suficiente para eliminar todo o gás da galáxia, várias vezes.

 

A radiação é produzida nos discos formados pela matéria que gira enquanto mergulha no buraco negro. Esse disco atinge temperaturas tão elevadas que brilha em todo o espectro eletromagnético - de ondas de rádio a raios gama. Isso aquece o gás acumulado no centro da galáxia, afastando-o dessa região e tornando-o menos denso. O gás precisa estar frio e denso para iniciar o processo de formação de estrelas.

 

Com isso, as estrelas velhas ficam para morrer sem que novas estrelas surjam para substituí-las, o que faz com que as galáxias escureçam e morram. Os resultados estão sendo apresentados na reunião da  Royal Astronomical Society.

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