Casamento coletivo une 16 casais gays no interior de São Paulo

Cada casal pôde levar até 10 convidados e fizeram festa em espaço cedido pela prefeitura

Sarah Brito, Especial para o Estado,

21 Março 2013 | 17h45

CAMPINAS - Em meio a amigos, padrinhos, convidados e imprensa, 32 noivos trocaram alianças no primeiro casamento gay coletivo de Campinas (SP), na tarde desta quinta-feira - quando também é comemorado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação de Todas as Formas de Discriminação. Entre eles, dois casais de homens, 12 de mulheres e dois de identidade de gênero (como a pessoa se identifica perante a socidade), sendo que em um deles os noivos são um transexual e uma drag queen. O primeiro casal a formalizar a união é formado pelo transexual Márcio Régis Vascon e pela enfermeira Kátia Marins. Eles se conheceram quando Vascon era guarda municipal e fazia patrulhamento no local de trabalho de Kátia, um centro de saúde municipal.

Ele afirma ter se apaixonado assim que a viu. Em seguida, foi a vez do jornalista Deco Ribeiro e a drag queen Lohren Beauty, juntos há sete anos, e que tiveram direito a chuva de arroz na saída. "Agora posso dizer que eu tenho uma família constituída por lei. Antes, éramos apenas um casal homossexual. Agora somos uma família como as outras, e com todos os direitos que merecemos", disse Lohren, muita nervosa e tremendo. Para Deco, o casamento é uma vitória. "Nunca quis casar pela metade. Esperavamos que a união fosse reconhecida pelo Estado e isso vai ajudar a sociedade a deixar de reprimir homossexuais".

Para os noivos Gustavo Duarte e Diogo Aparecido, ambos controladores de acesso, o momento não representava apenas a luta, mas um sonho realizado. Eles se conheceram há um ano, quando procuravam emprego. Duarte foi vestido com "roupa de príncipe" e Diogo, com um vestido longo vermelho. "Queremos lembrar dos momentos bons da nossa vida, por isso escolhemos essas roupas, para fazer nosso álbum de fotografias", disse Duarte. A cerimônia ecumênica foi possível no Estado a partir da decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) ao regulamentar, em dezembro de 2012, as normas internas que regem os cartórios de registro civil, equiparando, para todos os efeitos legais, o casamento homo e heterossexual. A decisão é válida desde o último dia 1º e, com isso, os homossexuais não precisam de um atestado de união estável para garantir os direitos de seus parceiros - mais caro que o registro de casamento - ou aguardar um parecer judicial para se casarem.

Em Campinas, segundo a prefeitura, foram 27 inscrições para a união coletiva, realizadas por meio do Centro de Referência LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) desde setembro. Durante o período, 11 casais desistiram de participar ao não quitar a taxa do cartório, de R$ 340. Cada casal pôde levar até 10 convidados e após o casamento legal, fizeram em conjunto uma festa na Estação Cultura, espaço cedido pela prefeitura. Segundo a coordenadora do Centro de Referência, Valdirene Santos, o casamento coletivo gay é uma garantia de direitos e de igualdade entre as pessoas. "É um momento histórico, de muita luta e cidadania", disse.

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