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Chuva de meteoros Leonídeas chega nesta quinta ao ápice

Ao menos 40 meteoros por hora riscarão os céus; fenômeno poderá ser observado a olho nu em qualquer lugar do país, especialmente a partir da meia-noite

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

17 Novembro 2016 | 16h19

Quem olhar para o céu na noite desta quinta-feira, 17, poderá observar a chuva de meteoros conhecida como Leonídeas. O fenômeno anual chegará ao seu ápice hoje, mas ainda será visível até o domingo, 20 - a olho nu -, na direção da constelação de Leão. 

Pelo menos 40 meteoros por hora riscarão os céus, de acordo com Irapuan Rodrigues, professor de Física e Astronomia da Universidade do Vale do Paraíba (Univap). 

“Uma chuva de meteoros ocorre quando, ao orbitar em torno do Sol, a Terra atravessa o rastro de poeira e rochas - os meteoroides - que se desprendem da cauda de algum cometa na sua trajetória pelo sistema solar", explicou Rodrigues ao Estado

Segundo ele, uma "estrela cadente" significa que um meteoroide acabou de se chocar com a atmosfera terrestre, entrando em incandescência. "Os que conseguem resistir à fricção do ar e chegar até o solo são os chamamos de meteoritos”, afirmou.

A chuva de meteoros Leonídeas é uma das melhores chuvas de meteoros para observação e a mais importante do mês, segundo Rodrigues. “Esse nome indica que o 'radiante' da chuva fica na direção da constelação de Leão e é nessa direção que devemos olhar", disse. Para encontrar a constelação será preciso olhar para o céu na direção nordeste.

Segundo o Observatório da Univap, que fica em São José dos Campos (SP), a partir da meia-noite será possível até registrar imagens com uma câmera fotográfica. Não são necessários equipamentos especiais para observação, basta olhar para o céu na direção certa.

As Leonídeas foram responsáveis por alugmas das mais intensas chuvas de meteoros da história, com taxas que já chegaram a 50 mil meteoros por hora, de acordo com Bill Cooke, especialista da Nasa em meteoros.

"Este ano, no entanto, as Leonídeas não estão em explosão, por isso as taxas serão menores. As explosões ocorrem quando a Terra passa por um trecho especialmente denso de meteoros. Quando não há explosão, as Leonídeas são uma chuva de meteoros menor. A última explosão ocorreu em 2001 e a próxima só acontecerá em 2033", disse Cooke.

A visibilidade também será limitada este ano por causa da Lua minguante que provavelmente ofuscará alguns dos meteoros, segundo Cooke. "Ainda assim, será possível ver a chuva de meteoros", disse.

De acordo com Cooke, embora as Leonídeas sejam mais fáceis de observar no Hemisfério Norte, os observadores do Hemisfério Sul também poderão ver "o show". 

Restos de cometa. As Leonídeas aparecem anualmente em novembro, quando a órbita da Terra cruza a órbita do cometa Tempel-Tuttle. O cometa completa uma volta em torno do Sol a cada 33,3 anos, deixando um rastro de poeira e entulho em seu caminho.

Quando a órbita da Terra cruza esse rastro de detritos, pedaços do cometa caem na superfície do planeta. O atrito com a atmosfera terrestre aquece os pedaços de cometa - cujo tamanho varia entre o de um grão de poeira e o de uma ervilha - até que eles se incendeiem. Os meteoros que sobrevivem à entrada ardente na atmosfera são chamados meteoritos. Mas no caso das Leonídeas, provavelmente nenhum meteorito será produzido.

Segundo Cooke, para ver o fenômeno basta ter um pouco de paciência. "É só ir para fora, procurar um lugar onde o céu esteja escuro e se deitar para olhar o céu. Os meteoros não serão muito frequentes, será preciso dispor de um par de horas", declarou.

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