Cientistas assistem a guerra entre grupos de chimpanzés

Um grupo de primatas mata membros de outro e se apropria do território dos derrotados

REUTERS

21 Junho 2010 | 15h38

Chimpanzés travam guerra, matando impiedosamente membros de grupos vizinhos para expandir território, informam cientistas. Biólogos já suspeitavam que a violência entre os chimpanzés poderia não ser de todo aleatória, mas o estudo na edição atual da revista Current Biology apresenta a primeira evidência clara nesse sentido.

 

Chimpanzés percebem a morte como humanos, indica pesquisa

 

"Embora algumas observações anteriores parecessem apoiar a hipótese, até agora não tínhamos indícios claros", disse o ecologista comportamental John Mitani, da Universidade de Michigan, em nota.

 

Os pesquisadores passaram dez anos observando dois grupos de chimpanzés que vivem em Ngogo, no Parque Nacional Kibale, de Uganda. Um deles era incomumente grande, com 150 membros, e parecia ter um número desproporcional de machos.

 

"Nesse período, observamos os chimpanzés de Ngogo matar ou ferir letalmente 18 indivíduos de outros grupos", escreveram os pesquisadores. Eles viram indícios de mais três mortes provocadas.

 

Notaram ainda patrulhas de chimpanzés, em que os animais moviam-se rapidamente, em silencia e em fila, buscando cuidadosamente outros chimpanzés.

 

A antropóloga Sylvia Amster, atualmente na Universidade de Arkansas em Little Rock, era uma estudante de graduação trabalhando com Mitani quando testemunhou uma dessas patrulhas lançar um ataque.

 

"Eles estavam em patrulha fora de seu território há mais de duas horas quando surpreenderam um pequeno grupo de fêmeas de uma comunidade ao noroeste", disse ela, em nota. "Quase imediatamente após o contato, os machos adultos da patrulha começaram a atacar as fêmeas desconhecidas, duas das quais carregavam crianças dependentes".

Os agressores rapidamente mataram uma e lutaram com a mãe da segunda por cerca de uma hora e meia.

 

"Embora não tenham conseguido tirar a criança da mãe, a criança obviamente ficou muito machucada, e não acreditamos que tenha sobrevivido", disse ela.

 

Logo após a matança, os pesquisadores notaram que os chimpanzés Ngogo expandiram seu território consideravelmente - em mais de 22%.

 

"Quando eles começaram a se mover para a área, não precisamos de muito tempo para notar que tinham matado muitos outros chimpanzés ali", disse Mitani.

 

Embora os chimpanzés sejam os parentes vivos mais próximos dos seres humanos, Mitani não está seguro de se o comportamento belicoso dos animais ajuda a entender a guerra entre humanos. "Guerra, no sentido humano, acontece por muitas razões diferentes", disse ele. "Não estou convencido de que estejamos falando da mesma coisa".

 

O comportamento pode indicar um senso de cooperação.

 

"A agressão letal entre os grupos que testemunhamos é cooperativa, na medida que envolve coalizões de machos atacando outros. No processo, nossos chimpanzés adquiriram Amis terra e recursos, que são redistribuídos no grupo". 

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