REUTERS/Nikola Solic
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Cientistas descobrem substância que bronzeia a pele sem tomar sol

Novidade, que ainda precisa passar por testes pré-clínicos, poderia evitar o risco de desenvolver câncer

O Estado de S.Paulo

13 Junho 2017 | 16h57
Atualizado 13 Junho 2017 | 18h36

Cientistas de Boston (Estados Unidos) produziram uma substância capaz de penetrar a pele e bronzeá-la sem a expor aos raios ultravioleta do sol. Testado em amostras de pele humana em laboratório, o composto poderia ser usado para desenvolver um produto capaz de garantir um bronzeamento artificial sem o risco de desenvolver um câncer de pele.

Diferentemente de cremes tradicionais, que só colorem a camada superficial da pele, a nova molécula atua estimulando as células que produzem pigmentos, cujo papel é absorver as radiações ultravioleta, segundo os autores do estudo.

De acordo com o estudo, publicado nesta terça-feira, 13, na revista norte-americana Cell Reports, a nova molécula ainda precisará ser submetida a testes pré-clínicos para que seja garantida a segurança de seu uso em humanos. 

A droga também se mostrou eficaz para produzir bronzeamento protetor em camundongos de pelo vermelho, que assim como os humanos ruivos, são mais suscetíveis ao desenvolvimento de um câncer de pele como efeito dos raios ultravioleta.

As pesquisas, lideradas por David Fisher, professor da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos) derivam de um estudo publicado em 2006 na revista Nature, cujos resultados mostravam que outra substância, a forskolina, produzida por uma planta da Índia, podia induzir o bronzeado da pele dos ratos-rosa sem exposição aos raios ultravioleta.

Entretanto, os cientistas descobriram rapidamente que essa molécula não podia penetrar a pele humana. Por não estar protegida por uma espessa camada de pelo, a epiderme humana teve que evoluir ao longo do tempo para desenvolver proteções contra o frio, o calor e as radiações ultravioleta, entre outros.

"A pele humana é uma barreira formidável, difícil de penetrar. Dez anos depois, encontramos uma solução com uma classe diferente de moléculas, menores e capazes de passar através dos lipídeos para atuar sobre outra enzima que atua sobre o mesmo mecanismo genético da pigmentação da pele", explicou Fisher.

Os cientistas testaram as moléculas em amostras de pele humana em laboratório e constataram que bronzeiam mais ou menos em função das doses da substância e a frequência das aplicações, e que este bronzeado artificial dura vários dias.

"A importância potencial deste estudo residirá no futuro em uma nova estratégia de proteção da pele e de prevenção do câncer de pele. A pele é o maior órgão do nosso corpo e pode ser afetado pelo câncer, na maioria dos casos por uma exposição aos raios ultravioleta", afirmou Fisher.

O objetivo da pesquisa a longo prazo, segundo Fisher, é criar algo que possa ser usado em combinação com os tradicionais filtros de absorção de raios ultravioleta. O próximo passo da equipe de cientistas, de acordo com ele, é continuar a testar a segurança da molécula em animais antes de realizar estudos de toxicidade em humanos. /AFP

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