The Royal Society/Divulgação
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Verme se autofecunda na ausência de parceiro, mostra estudo

Parasitas injetam esperma em si mesmos; segundo pesquisadores, processo é alternativa em condições ecológicas desfavoráveis

O Estado de S. Paulo

01 Julho 2015 | 17h03

PARIS - Uma espécie de verme plano (platelminto) é capaz de se autofecundar injetando o próprio sêmen na cabeça, na ausência de cópula com outro indivíduo, indica um estudo publicado nesta quarta-feira, 1º, pela revista da Royal Society britânica.

Para a maioria dos animais, a abstinência a relações com parceiros é sinônimo de ausência de descendentes ou indício de extinção. Isso não se aplica aos vermes planos da espécie Macrostomum hystrix.

Se são mantidos afastados de suas eventuais parceiras, estes parasitas hermafroditas são capazes de injetar esperma em si mesmos, descobriram investigadores da Universidade da Basileia, na Suíça, e da Universidade de Bielefeld, na Alemanha.

Habitualmente, os vermes utilizam o pênis para introduzir sêmen nos parceiros através da pele, em um processo chamado de 'inseminação hipodérmica'. Os indivíduos que copulam possuem órgãos masculino e feminino e se reproduzem por meio de um rito amoroso que se assemelha a um combate: cada verme quer assumir o papel de "pai" e tenta penetrar o outro antes que o parceiro o faça.

Os investigadores determinaram que os vermes somente utilizam a autofecundação em situações de ausência prolongada de reprodução com parceiros e o procedimento acarreta em uma baixa na produção de recém-nascidos e na capacidade de prolongar a vida da prole.

A cópula de indivíduos diferentes é o sistema de reprodução preferido da espécie, porém a autofecundação pode ser um meio alternativo em condições ecológicas desfavoráveis, concluíram os cientistas./AFP

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