Stefan Bengtson
Stefan Bengtson

Cientistas encontram alga mais antiga já registrada, com 1,6 bilhão de anos

Mais antigo organismo semelhante às plantas já registrado foi observado na Índia; descoberta indica que a vida multicelular surgiu pelo menos 400 milhões de anos antes do que se imaginava

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

14 Março 2017 | 15h32

Um fóssil de uma alga de 1,6 bihão de anos pode ser o mais antigo organismo semelhante a uma planta já descoberto, de acordo com um novo estudo feito por cientistas da Suécia. Segundo eles, o estudo indica que a vida multicelular evoluiu na Terra muito antes do que se pensava, uma vez que o mais antigo fóssil desse tipo registrado até agora tinha 1,2 bilhão de anos.

A descoberta, considerada "espetacular" pelos cientista, foi feita em Chitracute, na região central Índia, por cientistas do Museu de História Natural da Suécia. Os resultados do estudo foram publicados hoje na revista científica PLOS Biology.

Nas rochas de 1,6 bilhão de anos, os cientistas encontraram dois tipo de fósseis que, pela morfologia - isto é, pelo formato de suas estruturas -, parecem ser algas vermelhas, segundo os cientistas, que conseguiram observar diferentes estruturas celulares em seu interior.

"Não se pode ter 100% de cereteza sobre um material tão antigo, já que não sobrou nenhum vestígio de DNA, mas todas as características combinam muito bem com a morfologia e estrutura de uma alga vermelha", disse um dos autores do estudo, o paleozoólogo Stefan Bengtson, do Museu de História Natural da Suécia.

De acordo com o cientista, os primeiros traços de vida na Terra têm pelo menos 3,5 bilhões de anos. Mas por muito tempo só havia organismos unicelulares - isto é, formados por uma só célula. Só muito mais tarde, há cerca de 600 milhões de anos, tornaram-se comuns os organismos multicelulares complexos e eucariontes - isto é, aqueles cujas células, ao contrário dos organismos mais primitivos, têm núcleos e outras organelas.

As descobertas sobre os primeiros eucariontes multicelulares têm sido raras e de difícil interpretação. Ainda assim, cientistas já haviam descoberto uma alga vermelha que surgiu bem antes da vida complexa se tornar comum, há 1,2 bihão de anos. O novo organismo é pelo menos 400 milhões de anos mais antigo que isso.

"A época da 'vida visível' parece ter começado muito antes do que pensávamos. Eu fiquei tão entusiasmado que tive de andar três vezes ao redor do prédio do laboratório antes de ir contar ao meu supervisor o que eu tinha encontrado", disse Bengston.

Segundo ele, as algas vemelhas estavam encravadas em um emaranhado de cianobactérias chamadas estromatólitos, em uma rocha sedimentar de fosforita datada de 1,6 bilhão de anos. Para conseguir observar o interior das algas, os cientistas utilizaram microscopia tomográfica de raios X com base em luz síncrotron.

Entre outras características, os pesquisadores registraram plaquetas em cada uma das células - que eles acreditam terem sido partes dos cloroplastos, as organelas que existem no interior da célula com a função de fazer a fotossíntese. Eles também observaram estruturas regulares distintas no centro de cada parede celular, o que segundo Bengston é um traço típico das algas vermelhas.

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