Cientistas identificam molécula orgânica complexa no espaço

Antraceno pode reagir com outras moléculas e gerar substâncias necessárias para a vida

estadao.com.br

22 Junho 2010 | 17h09

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Astrofísica de Canárias (IAC) e da Universidade do Texas obteve sucesso em identificar uma das mais complexas moléculas orgânicas já encontradas no chamado meio interestelar, o material difuso do espaço entre as estrelas.

 

Estudo brasileiro reforça hipótese de que vida na Terra veio do espaço

Micróbios terrestres podem sobreviver em Marte, mostra simulação

Astrônomos encontram agente 'formador da vida' em cometa

 

A descoberta do antraceno no espaço poderá ajudar a resolver um mistério de décadas sobre a produção de moléculas orgânicas no espaço.

 

"Detectamos a presença de moléculas de antraceno em uma nuvem densa na direção da estrela Cernis 52, na constelação de Perseu, a cerca de 700 anos-luz do Sol", disse Susana Iglesias Groth, do IAC, em nota.

 

Na opinião dela, o próximo passo deve ser a investigação da presença de aminoácidos, moléculas que, na Terra, formam as proteínas necessárias para a vida. No espaço, moléculas como o antraceno, submetidas à radiação ultravioleta e à interação com outras substâncias   poderiam dar origem a compostos essenciais para a vida.

 

"Dois anos atrás", disse ela, "encontramos prova da existência de outra molécula orgânica, o naftaleno, no mesmo lugar, então tudo indica que descobrimos uma região de formação de estrelas rica em química pré-biótica". Até agora, o antraceno havia sido detectado em meteoritos, mas nunca no meio interestelar. 

 

Formas oxidadas dessa molécula são comuns em sistemas vivos, e são biologicamente ativas. Em nosso planeta, o antraceno oxidado é um componente do áloe e tem propriedades anti-inflamatórias.

 

A nova descoberta indica que boa parte dos componentes da química pré-biótiva terrestre pode estar presente no material interestelar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.