Cientistas se emocionam com êxito do acelerador que recria o 'Big Bang'

Noite foi de comemoração no Cern após 16 anos da aprovação inicial do projeto

30 Março 2010 | 23h28

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

 

GENEBRA- A lua cheia ainda brilhava sobre os alpes em uma noite de fim de inverno quando os primeiros cientistas chegavam ao Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear (Cern). A noite foi de preparativos para o primeiro teste, programado para ocorrer às 6 horas da manhã do horário europeu (1 hora de Brasília).

 

Mas um problema de energia obrigou os técnicos a abortá-lo. Às 8 horas, mais uma tentativa e outro fracasso, desta vez por conta de imãs.

 

A cautela do Cern em garantir que o experimento era totalmente seguro pode ter sido exagerada. O acelerador, diante de qualquer anomalia, cancela a rotação das partículas e foi isso que ocorreu. Nesse momento, a tensão tomou conta dos cientistas.

 

"Durante a noite, tudo correu bem. Mas quando começamos o teste para valer, os problemas apareceram. Ficamos muito preocupados", afirmou Steve Myers, diretor do acelerador.

 

Em 2008, no primeiro ato de funcionamento do acelerador, as comemorações também ocorreram. Mas nove dias depois o projeto foi suspenso por um ano e meio diante de uma falha. O cenário ainda estava na mente de todos.

 

Mas às 13 horas e seis minutos, o primeiro choque finalmente ocorreu. As salas de comando do experimento foram tomadas por uma comemoração pouco típica dos cientistas. Sob forte aplauso, muitos se abraçavam, enquanto outros serviam champagne francesa em copos de plástico. "Estou aliviado e emocionado", afirmou Myers.

 

No projeto Atlas, que irá tentar identificar a massa negra, a responsável pelo programa, Fabiola Gianotti, comemorava. "O choque foi como fogos de artifício. Algo completamente diferente de tudo que já vimos. Podemos dizer com certeza que estamos em um novo regime de energia", afirmou, mesmo sem ainda avaliar os dados com profundidade.

 

Em telas espalhadas pelo Cern, a explosão gerada pelo choque era mostrada em animações criadas por computadores. Em uma teleconferência no Japão, Heuer aparecia com um copo de vinho de uma garrafa ano 1991, data da aprovação inicial do projeto.

 

Michael Barnett, físico da Lawrence Berkeley National Laboratory, não escondia sua felicidade. "Estou nesse projeto há 16 anos. Nossa vida nesse planeta é curta. Sonhos de uma vida inteira estão nessa experiência", disse ao Estado. "O que ocorre hoje é o resultado de toda minha vida. Não tenho como não me emocionar", disse.

 

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