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Cientistas usam DNA para descobrir países de origem de escravos

Novo método possibilitou determinar, pela primeira vez, a procedência de africanos que vieram para a América no século XVII

AFP

09 Março 2015 | 18h58

Cientistas utilizaram um novo método para analisar traços de DNA encontrados nos ossos de três escravos africanos do século XVII. A metodologia permitiu determinar pela primeira vez os países de origem dos cativos.

Até agora era difícil determinar com exatidão a procedência dos 12 milhões de escravos africanos transportados para a América entre 1500 e 1850. Havia poucos dados precisos na época e, apesar de saber de qual porto haviam embarcado, os verdadeiros países de origem eram um mistério.

Mas neste caso, o DNA extraído dos esqueletos de três escravos permitiu determinar que eram originários de regiões que hoje pertencem a Camarões, Gana e Nigéria, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira, 9, na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os ossos de dois homens e uma mulher foram desenterrados em 2010 em um local de construção na ilha de San Martín, no Caribe.

"Estas descobertas oferecem as primeiras provas diretas da origem étnica dos escravos africanos", destaca o estudo conduzido por Hannes Schroeder, do centro de geogenética do Museu de História Natural da Universidade de Copenhague.

Também "demonstra que os elementos do genoma permitem responder a perguntas históricas que há tempo careciam de resposta".

Este novo método permitirá avançar na investigação de outros restos arqueológicos descobertos em regiões tropicais, que, por causa do clima quente, contêm pouco DNA.

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