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Conheça a vida e a obra de Claude Gustave Lévi-Strauss

Efe e O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2009 | 16h 54

O antropólogo francês Claude Gustave Lévi-Strauss, que morreu no sábado aos 100 anos, segundo anunciou hoje a editora Plon, é considerado o pai do estruturalismo e um dos grandes pensadores do século XX.

 

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Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908, dentro de uma família de intelectuais franceses de origem judaica.

 

Estudou direito e se formou em filosofia na Universidade de Sorbonne em 1931.

 

Após uma breve passagem pela docência no ensino secundário, Lévi-Strauss foi nomeado membro de uma missão universitária no Brasil e, de 1935 a 1939, foi professor na Universidade de São Paulo.

 

Durante este período, organizou e dirigiu várias expedições etnográficas ao Mato Grosso e Amazônia, e estudou também as tribos indígenas do norte e do sul do continente americano.

 

De volta à França, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, participou dos esforços de guerra de 1939 a 1940, até que abandonou esse país para ir aos Estados Unidos, onde lecionou na New School for Social Research de Nova York, entre 1942 e 1945.

 

Em 1944, foi chamado à França pelo Ministério de Assuntos Exteriores, mas, no ano seguinte, voltou aos Estados Unidos para ocupar as funções de conselheiro cultural na embaixada francesa em Washington, cargo que abandonou em 1948 para se dedicar ao trabalho científico.

 

Em 1949, foi nomeado subdiretor do Museu do Homem e, em 1950, como diretor de estudos na Escola Prática de Altos Estudos.

 

Depois, foi nomeado professor no Collège de France, onde exerceu como catedrático de antropologia social, cátedra que ocupou de 1959 e até aposentadoria, em 1982.

 

Lévi-Strauss transformou a etnologia contemporânea e elaborou um método original, reunindo o método estrutural e a contribuição da psicanálise para interpretar os mitos, descobrir os grandes sistemas de pensamento e explicar o funcionamento social.

 

Este foi o método usado para estudar a organização social dos indígenas no Brasil e do norte e sul da América. Foi vital seu encontro em 1941 com o linguista americano Roman Jakobson, após o que decidiu aplicar o estruturalismo aos fenômenos humanos, começando pelo parentesco.

 

Autor de vários livros, publicou em 1949 "As Estruturas Elementares do Parentesco" e, de suas expedições pelo Brasil, nasceu em 1955 sua obra "Tristes Trópicos", considerado um texto fundamental da etnologia contemporânea.

 

Em 1958, foi lançado "Antropologia Estrutural"; em 1962, publicou "O Pensamento Selvagem"; em 1964, "O Cru e o Cozido"; e, em 1967, "Do Mel às Cinzas". Também publicou, em 1993, "Olhar, Escutar e Ler".

 

Ao longo de sua carreira, conseguiu uma grande popularidade, além de contar com o reconhecimento acadêmico.

 

Em 1973, foi eleito membro da Academia Francesa, onde ocupou o assento que antes foi de Henry de Montherlant.

 

Detentor da Grã-Cruz da Legião da Honra desde 1992, era também membro estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, da Academia Americana e do Instituto de Artes e Letras, também nos Estados Unidos.

 

Era doutor "honoris causa", entre outras, das universidades de Bruxelas, Oxford (Inglaterra), Chicago (Estados Unidos), Stirling (Escócia), Montreal (Canadá), da Universidade Nacional Autônoma do México, da Universidade Laval do Québec, assim como de Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, nos Estados Unidos.

 

Em 1966, recebeu a medalha de ouro e o prêmio da Fundação Viking, concedido pelo voto internacional de etnólogos; e, em 1967, conseguiu a medalha de ouro de Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

 

Em 28 de novembro de 2008, por ocasião de seus 100 anos, recebeu a homenagem do mundo da cultura e da ministra da Cultura francesa da época, Christine Albanel, foi inaugura uma placa em sua honra no museu Quai Branly de Paris.

 

Obras Fundamentais

 

TRISTES TRÓPICOS: Mais que um livro de viagem, é um clássico da etnologia (1955). Além de trazer detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil, o livro discute as relações entre Velho e Novo Mundo e o significado da civilização e do progresso. Lévi-Strauss desloca parâmetros consagrados e

questiona viajantes e cientistas. O mundo dos cadiuéus, bororos, nhambiquaras e dos tupi-cavaíbas revelam seus próprios estilos e linguagens.

 

ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL: Publicada em 1958, a obra reúne artigos que propõem um empréstimo das teorias estruturalistas de Roman Jakobson, lingüista que Lévi-Strauss conheceu nos EUA, para renovar o método antropológico. Ela se divide em cinco partes: Linguagem e parentesco; Organização social; Magia e religião; Arte; e Problemas de método e de ensino. A obra será lançada pela Cosac Naify no dia 11.

 

O SUPLÍCIO DO PAPAI NOEL: A Cosac Naify lança, também no dia 11, O Suplício do Papai Noel, ensaio de 1952. Lévi-Strauss parte da queima de um boneco de Papai Noel em Dijon, França, em 1951, para analisar, por meio da antropologia estrutural, o significado das festas de fim de ano, a comercialização das datas tradicionais e a influência norte-americana nesse processo.

 

MITOLÓGICAS: Composta por quatro obras - O Cru e o Cozido (1964), Do Mel às Cinzas (1967), A Origem dos Modos à Mesa (1968) e O Homem Nu (1971) - a série analisa 813 mitos de diferentes povos indígenas do continente americano.

 

DE PERTO E DE LONGE: Em entrevista para o filósofo Didier Eribon em 1988, o antropólogo faz um balanço sobre sua história pessoal, formação intelectual e conceitos-chave de sua teoria.

 

HISTÓRIA DE LINCE: Segundo Lévi-Strauss, essa obra (1991) é a última incursão pela mitologia americana. Questões presentes em sua produção de mitólogo são retomadas e esclarecidas.

 

SAUDADES DO BRASIL: Obra de 1994 reúne fotografias feitas entre 1935 e 1939. Lévi-Strauss se deu conta de que poderia descrevê-las, localizando-as no tempo e no espaço, com auxílio da memória afetiva. Saudades de São Paulo, de 1996, também tem um depoimento em que se revisitam imagens de uma cidade onde o gado convivia com carros e bondes.

 

OLHAR, ESCUTAR, LER: De 1993, é escrita em tom de conversa, inteiramente dedicada à arte.

 

O PENSAMENTO SELVAGEM: No livro, de 1962, ele focaliza um traço universal do espírito humano - o pensamento selvagem que se desenvolve tanto no homem antigo como no contemporâneo.

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