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Desafio do balde de gelo contribui para importante descoberta científica

Campanha que teve adesão de celebridades arrecadou R$ 377 mi e financiou estudo que descobriu gene ligado a doença degenerativa de Stephen Hawking

O Estado de S. Paulo

27 Julho 2016 | 21h54

Os recursos levantados pela campanha do "desafio do balde de gelo", que teve a participação de inúmeras celebridades em 2014, serviram para financiar uma pesquisa que identificou um gene que contribui para a esclerose lateral amiotrófica (ELA), de acordo com a Associação ALS, que reúne pessoas com a doença.

A campanha, que incentivava pessoas a compartilhar vídeos no instante em que viravam um balde de água gelada sobre a cabeça, a fim de reunir doações para combater a doença, arrecadou US$ 115 milhões (cerca de R$ 377 milhões). O físico britânico Stephen Hawking é a mais conhecida vítima da doença.

Os recursos financiaram seis pesquisas, incluindo um estudo desenvolvido pelo MinE, um projeto internacional cujo objetivo é analisar o genoma de 15 mil pessoas com doenças do neurônio motor.

O estudo, publicado na revista Nature Genetics, identificou o gene NEK1, que segundo os autores, abrirá caminho para o desenvolvimento de uma terapia genética para o tratamento da ELA. Segundo os autores, a pesquisa foi a maior já realizada sobre a ELA hereditária, envolvendo mais de 80 cientistas de 11 países.

Inicialmente criticada, como uma iniciativa bem intencionada, mas que teria pouco efeito, a campanha se tornou "viral" em meados de 2014 e teve a adesão de celebridades como Bill Gates, Mark Zuckerberg, George W. Bush, Taylor Swift, Justin Bieber, Steven Spielberg, Justin Timberlake - e até de brasileiros como a cantora Ivete Sangalo e o ex-senador Eduardo Suplicy.

De acordo com a Associação ALS, a pesquisa que descobriu o gene ligado à ELA jamais poderia ter sido feita sem o desafio do balde de gelo, já que os financiamentos conseguidos pelos cientistas para os estudos não chegavam nem perto dos milhões que eram necessários. Com a campanha - cujos vídeos foram compartilhados mais de 17 milhões de vezes -, a associação conseguiu financiamento coletivo para levantar os fundos.

A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva, incurável e fatal, que afeta uma a cada 400 pessoas. De causa ainda desconhecida, a doença afeta o cérebro e a coluna, ataca os nervos que controlam o movimento e impede o funcionamento dos músculos.

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