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Descobertas mostram que escravos não construíram pirâmides

Agência Estado

11 Janeiro 2010 | 13h 49

Trabalhadores eram assalariados e provenientes da famílias egípcias pobres respeitadas por seu trabalho

O Egito colocou em exposição nesta segunda-feira, 11, novas tumbas recém descobertas, datadas de mais de 4 mil anos, afirmando que pertencem a pessoas que construíram as grandes pirâmides de Gizé. As descobertas indicam mais evidências de que escravos não construíram os antigos monumentos.

 

A série de poços de 2,7 metros de profundidade contém doze esqueletos de construtores das pirâmides, perfeitamente conservados pela seca areia do deserto, juntamente com jarros que continham cerveja e pão para a vida após a morte dos Trabalhadores.

 

As tumbas feitas de tijolos de barro foram descobertas na semana passada na parte de trás das pirâmides de Gizé, além do local de sepultamento descoberto nos anos 1990 e datado da 4ª Dinastia (2.575 a.C a 2.467 a.C), quando as grandes pirâmides foram construídas as extremidades da Cairo atual.

 

O historiador grego Heródoto descreveu os construtores das pirâmides como escravos, criando o que os egiptólogos dizem ser um mito que mais tarde foi propagado pelos filmes de Hollywood. Tumbas dos construtores das pirâmides foram descobertas na área nos anos 1990, quando um turista a cavalo tropeçou numa parede que era uma tumba.

 

O arqueólogo chefe do Egito, Zahi Hawass, disse que a descoberta e as tumbas encontradas na semana passada mostram que os trabalhadores eram assalariados e não os escravos da imaginação popular. Hawass disse aos jornalistas que o local da descoberta, divulgado no domingo, lança mais luzes sobre o estilo de vida e as origens dos construtores das pirâmides. Mais importante, segundo ele os trabalhadores não eram recrutados dentre os escravos, comuns no Egito durante a época dos faraós.

 

Hawass afirmou que os construtores eram provenientes da famílias egípcias pobres do norte e o sul e que eram respeitados por seu trabalho, tanto que aos que morreram durante a construção foi concedida a honra de ser enterrados em tumbas perto das sagradas pirâmides dos faraós.

 

A proximidade com as pirâmides e a forma como seus corpos foram preparados para a vida após a morte dá suporte a esta teoria, disse Hawass. "De forma alguma eles seriam enterrados com tantas honras se fossem escravos", afirmou.

 

As tumbas não continham objetos de ouro ou de valor, o que as protegeu de arrombadores de tumbas durante a antiguidade. Os esqueletos foram encontrados em posição fetal, a cabeça apontando para o oeste e os pés para o leste, de acordo com as antigas crenças egípcias, cercados por jarros que continham suprimentos para a vida após a morte.

 

Os homens que construíram a única das maravilhas dos mundo antigo a sobreviverem até os dias de hoje comiam carne regularmente e trabalhavam em turnos de três meses, disse Hawass. Foram necessários 10 mil trabalhadores e mais de 30 anos para construir uma única pirâmide, afirmou Hawass, um décimo da força de trabalho de 100 mil que Heródoto descreveu após visitar as pirâmides por volta de 450 a.C.

 

Hawass disse que as evidências locais indicam que aproximadamente 10 mil trabalhadores das pirâmides consumiam 21 bois e 23 ovelhas, que eram enviadas diariamente para eles. Embora não fossem escravos, os construtores das pirâmides tinham uma vida de trabalho duro, afirmou Adel Okasha, supervisor das escavações. Seus esqueletos têm sinais de artrite e as vértebras inferiores indicam uma vida passada com dificuldade. "Seus ossos nos contam a história de como eles trabalhavam duro", disse Okasha. As informações são da Associated Press.