Descobertos fósseis de transição entre Lucy e o homem moderno

'Australopithecus sediba' era capaz de correr como um ser humano e tinha cérebro com forma avançada

Carlos Orsi, do estadao.com.br

08 Abril 2010 | 11h02

Crânio do 'Australopithecus sediba' (Foto: Lee Berger/University of the Witwatersrand)

 

SÃO PAULO - Cientistas da África do Sul anunciam na edição desta semana da revista Science a descoberta de dois fósseis de 2 milhões de anos, preservados em uma caverna e que parecem representar uma nova espécie de hominídeo, o Australopithecus sediba. "Acredito que este é um bom candidato para a espécie de transição entre o homem-macaco da África do Sul, o Australopithecus africanus, e o Homo habilis ou o Homo erectus", disse o líder da equipe responsável pela descoberta, Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, em Johanesburgo.

 

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O ser humano moderno também pertence ao gênero homo, sendo da espécie Homo sapiens. Cientistas acreditam que esse gênero evoluiu a partir os australopitecos, dos quais o fóssil mais famoso é Lucy, um exemplar da espécie Australopithecus afarensis. Alguns cientistas acreditam que o Australopithecus africanus evoluiu a partir do afarensis. A equipe de Lee sugere que o africanus, por sua vez, gerou o sediba.

 

Além de se encaixar na árvore da família dos australopitecos, no entanto, os novos fósseis apresentam características peculiares ao gênero homo. A escolha do nome da nova espécie, "sediba", vem de uma palavra africana para "fonte". "Consideramos apropriado para uma espécie que pode ser o ponto a partir do qual surge o gênero homo", afirma Berger.

 

 

Os fósseis são um jovem macho e uma fêmea adulta. A idade do jovem é estimada como correspondente à de um ser humano moderno de entre 10 e 13 anos, embora sua idade cronológica provavelmente fosse menor, de cerca de oito anos. Os cientistas acreditam que essa espécie amadurecia mais depressa que a humanidade atual.

 

A espécie tem braços longos, como um macaco, mãos pequenas e fortes, uma pélvis muito avançada e pernas compridas, capazes de caminhar e, talvez, correr como um ser humano.

 

 

"Estimamos que tivessem ambos cerca de 1,27 metro, embora a criança certamente pudesse ter crescido mais", acrescentou Berger. "O cérebro do jovem tinha de 420 a 450 centímetros cúbicos, o que é pequeno se comparado com o cérebro humano, mas a forma do cérebro parece mais avançada que a dos australopitecinos".

 

Os esqueletos foram encontrados em meio aos esqueletos articulados de um felino com dentes-de-sabre, antílope, camundongos e coelhos. Eles estavam preservados em uma substância rígida, semelhante ao concreto, um sedimento que se formou no fundo do que parece ter sido um lago raso subterrâneo.

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