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Desmate na Amazônia cai 23% em um ano

Maranhão registra maior queda, seguido por Amazonas e Acre, mostra satélite

Lisandra Paraguassu, de Brasília,

02 Agosto 2012 | 19h00

 O desmatamento na Amazônia Legal caiu 23% entre agosto de 2011 e julho de 2012, apontam dados preliminares do Deter, o sistema de detecção rápida por satélite usado pelo governo federal. Nos últimos 12 meses, a floresta teria perdido cerca de 2 mil quilômetros quadrados. Dos nove Estados que compõem a região, apenas Roraima teve aumento no desflorestamento.

Os dados apresentados nesta quinta-feira, 2, pelo Ministério do Meio Ambiente, frutos de um sistema que varre a Amazônia Legal por satélite a cada dois dias, são considerados um indicativo para os números finais, levantados pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), mais preciso e divulgado no final do ano. “O Deter é uma base importante. Podemos dizer que há uma tendência de queda”, disse a ministra Izabella Teixeira.

De acordo com o Deter, o desmatamento teria diminuído em 10 dos 12 meses, caindo 50% de abril a junho. Houve dois picos, em novembro, com 10% de aumento em relação ao período anterior, e em janeiro, com 250%.

A maior queda aconteceu no Maranhão, que reduziu a um terço a área desmatada, na comparação com o período anterior. Pará, Amazonas e Acre também diminuíram muito suas áreas desflorestadas, mas Mato Grosso, que já tinha a maior área em risco no período 2010/2011, reduziu apenas 2,7% e é novamente o campeão de desmatamento em valores absolutos. Sozinho, o Estado desmatou 952 dos 2.050 km² de floresta derrubada desde agosto de 2011.

Segundo Izabella, Mato Grosso tem áreas de Cerrado, onde a obrigatoriedade de reserva legal é menor – 35% em vez dos 80% da floresta amazônica – e o Deter não identifica que tipo de vegetação foi desmatada. No ano passado, disse, o Estado foi responsável por 17,5% do desmatamento registrado, atrás do Pará, com 46,9%. Ainda assim, reconhece, Mato Grosso tem uma enorme fronteira agrícola com cada vez mais pessoas chegando. “Muitas vezes essas pessoas não respeitam a lei. Isso aumenta a possibilidade de desmatamento.”

Áreas menores. O tamanho das áreas desmatadas estaria caindo, o que vem dificultando a detecção no sistema por satélite. De grandes porções de terra de até 1 mil km², o desflorestamento agora acontece em pequenas áreas. “É o que eu chamo de ‘desmatamento puxadinho’. Temos visto o crescimento desse tipo de ação nos últimos dois ou três anos”, disse a ministra. Um novo satélite deve entrar em órbita em dezembro para melhorar a detecção. “Vamos colocar uns óculos no Deter”, brincou ela.

Apesar da queda geral, duas cidades do Pará entraram na lista de municípios prioritários por terem registrado crescimento nos dois últimos anos. Anapu, em 2009, teve 26,5 km² de área desmatada. Passou para 226,8 km² em 2011. Senador José Porfírio foi de 3,6 km² a 101,9 km². Do outro lado, Ulianópolis (PA) saiu da lista. A cidade foi uma das beneficiadas por um projeto de novas fontes de desenvolvimento sustentável financiado com uma doação do governo da Noruega.

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