Dieta mediterrânea reduz riscos para cardíacos, diz estudo

Alimentação rica em frutas, verduras, hortaliças e peixes pode reduzir as chances de ataque do coração ou derrame

O Estado de S. Paulo

25 Abril 2016 | 16h41

As pessoas que já têm doenças cardiovasculares têm menos risco de sofrer um ataque do coração ou cerebral se seguirem a chamada dieta mediterrânea, segundo revela nesta segunda-feira, 25, um estudo publicado pelo European Heart Journal.

A pesquisa, desenvolvida por cientistas da Universidade de Auckland (Nova Zelândia), analisou os efeitos que tem sobre o organismo destes pacientes uma dieta rica em frutas, verduras, hortaliças, peixes e alimentos não refinados.

Os resultados dos testes realizados em 15.482 indivíduos de 39 países diferentes indicaram que a dieta mediterrânea reduz significativamente o risco de sofrer ataques do coração e derrames.

O estudo ainda constatou que, para este tipo de paciente, é mais importante aumentar a ingestão de alimentos saudáveis do que evitar comer os considerados prejudiciais, como cereais refinados, guloseimas, sobremesas, bebidas açucaradas ou frituras, ou seja, uma dieta "ocidental", segundo denominação dos especialistas.

No início da investigação, os pesquisadores pediram aos doentes cardiovasculares estáveis com uma média de idade de 67 anos, que preenchessem um simples questionário sobre seu estilo de vida para determinar quantas vezes pela semana consumiam certos alimentos.

De acordo com suas respostas, foram incluídos no grupo de "dieta mediterrânea" (MDS, na sigla em inglês) ou "dieta ocidental" (WDS), com pontos mínimos e máximos entre zero e 24 em cada um, dependendo da quantidade de alimentos saudáveis ou não saudáveis que ingeriam.

Depois de 3,7 anos, 10,1% de todos os indivíduos entrevistados haviam sofrido um ataque do coração, um derrame cerebral ou havia morrido, o que os cientistas chamaram um "episódio cardiovascular grave" (MACE, na sigla en inglês).

Na mostra de 2.885 pacientes que apresentavam um MDS de 15 ou mais pontos (os que mais alimentos saudáveis ingeriam), 7,3 % sofreram um MACE, ante 10,5% registrados no grupo de 4.018 indivíduos com um MDS entre 13 e 14 pontos.

No grupo dos 8.579 indivíduos com MDS mais baixo, 10,8% sofreram um MACE, destaca o estudo.

"Depois de ter em conta outros fatores que poderiam ter afetado o resultado, descobrimos que o aumento de uma unidade no MDS estava associado a uma redução de 7% no risco de sofrer um ataque do coração, um derrame ou morrer por motivos cardiovasculares ou outras causas em pacientes com doenças coronárias", explica Ralph Stewart, da Universidade de Auckland.

Ao contrário, não se chegou a relacionar o maior consumo de alimentos "considerados menos saudáveis" e "típicos de dietas ocidentais" com um aumento do MACE, "o que não esperávamos", diz.

"O estudo sugere que devemos colocar mais ênfase em estimular as pessoas com problemas de coração a que comam mais alimentos saudáveis e, talvez, menos ênfase em evitar os alimentos não saudáveis", defende o especialista./EFE

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