Issei Kato/Reuters e Lars Hagberg/Reuters
Issei Kato/Reuters e Lars Hagberg/Reuters

Prêmio Nobel de Física vai para 'metamorfose' de partícula

O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur McDonald descobriram oscilações de neutrinos, mostrando que há massa

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 07h17

Atualizado às 10h10

SÃO PAULO - O japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur McDonald foram os vencedores do Prêmio Nobel da Física 2015, pela descoberta de oscilações dos neutrinos - que mostram que essas misteriosas partículas têm massa - contribuindo para os experimentos que demonstram a capacidade dos neutrinos de mudar de identidade. 

O anúncio foi feito nesta terça-feira, 6, na sede do Instituto Karolinska, na Suécia. De acordo com o júri sueco, as O pesquisas de Kajita e McDonald "mudaram nossa compreensão sobre as engrenagens mais íntimas da matéria e podem se revelar cruciais para nossa visão do Universo".

"A descoberta levou à conclusão, de um alcance considerável, de que os neutrinos, por muito tempo considerados como partículas sem massa, deviam possuí-la, ainda que pequena", declarou o comitê do Nobel em um comunicado. "Para a física de partículas, é uma descoberta histórica", saudou o júri.

Por possuírem massa, eles se tornam candidatos a constituir a matéria escura - a matéria que corresponde a 85% do Universo, mas não se sabe do que é feita.

Os neutrinos são partículas sem carga elétrica, quase desprovidas de massa, que caem aos bilhões sobre a Terra e as pessoas - atravessando-as, sem causar dano nenhum - provenientes de reações nucleares no interior do Sol, ou originários de choques e partículas mais pesadas sobre os átomos da atmosfera terrestre. Essas estranhas partículas têm a capacidade de se transformar em um outro tipo de neutrino.

Essa propriedade bizarra, também conhecida como oscilação, foi confirmada em 1998, quando Kajita, diretor do Instituto de Pesquisas em Raios Cósmicos, descobriu que os neutrinos da atmosfera "mudavam de identidade" em seu caminho até o detector Super-Kamiokande, no Japão, onde eram detectados.

Ao mesmo tempo, o grupo de pesquisadores liderado por McDonald, professor emérito da Queen's University, no Canadá, demonstrava que os neutrinos provenientes do Sol não desapareciam em seu caminho até a Terra, como se pensava: eles eram na realidade capturados com uma identidade diferente ao chegar ao Observatório de Neutrinos de Sudbury.

A descoberta desse comportamento singular dos neutrinos permitiu resolver um quebra-cabeças com o qual os físicos haviam lutado por anos: nos cálculos teóricos de número de neutrinos, cerca de dois terços deles não apareciam nas medições feitas em Terra.

É a quarta vez que pesquisas sobre neutrinos são premiadas pelo comitê do Nobel. Em 2014, o Prêmio Nobel da Física foi concedido a dois japoneses - Isamu Akasaki et Hiroshi Amano - e ao americano Shuji Nakamura. Os três cientistas foram premiados por seus trabalhos que permitiram a fabricação de LEDs coloridos.

Nobel 2015. Os anúncios dos vencedores do Prêmio Nobel tiveram início nesta segunda-feira, 5, com a atribuição do prêmio de Fisiologia ou Medicina a três pesquisadores - o americano William Campbell, o japonês Satoshi Omura e a chinesa Tu Youyou, por terem descoberto tratamentos eficazes contra a malária e contra infecções parasitárias - como a oncocercose e a filariose linfática.

O Prêmio Nobel de Química será anunciado nesta quarta-feira, 7, o de Literatura na quinta-feira, 8, da Paz na sexta-feira, 9, e de Economia na próxima segunda-feira, 12.

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