Nasa/Reprodução
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Eclipse solar que cobrirá os EUA deve ser visto também no Brasil

Fenômeno será visível em alguns Estados do Norte e do Nordeste; para cientista, espetáculo ajuda a popularizar a astronomia

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 09h30

SÃO PAULO - O eclipse solar que cobrirá a totalidade do território dos Estados Unidos em 21 de agosto está movimentando também os amantes de astronomia no Brasil. Ele poderá ser visto parcialmente por quem mora nos Estados do Norte e do Nordeste do País. O fenômeno deve ocorrer entre 16h30 e 17 horas, no horário de Brasília.

Pesquisador do departamento de Astronomia da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Costa disse que as melhores regiões para visualizar o fenômeno no Brasil estão no extremo norte, mas a observação depende das condições climáticas. 

“Amapá, Roraima e as partes do norte do Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Piauí e o litoral do Rio Grande do Norte terão a melhor visualização”, afirmou. Nessas regiões, o fenômeno pode durar até meia hora. “Quem estiver abaixo de Brasília não verá nada.”

O eclipse solar é a sombra da lua provocada pelo sol incidindo sobre a Terra. O lunar é o inverso: a sombra da Terra sobre a lua. Os eclipses costumam ocorrer de duas a sete vezes por ano. Para acontecer no mesmo lugar, é preciso um espaço de tempo de pelo menos 54 anos, afirma Costa.

Segundo a astrônoma do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro (Mast), Patrícia Spinelli, é uma oportunidade única. “É raro observar um eclipse total porque ele ocorre em uma região pequena em relação ao tamanho do nosso planeta, considerando que ele é coberto por três quartos de água.”

Por vezes, ocorre em locais de difícil acesso, como nos polos, em países conflituosos ou no meio de oceanos. “Agora, cobrirá um país muito populoso (os Estados Unidos, com 323 milhões de habitantes) no meio da tarde”, lembrou.

O evento, chamado pelos americanos de o "maior eclipse da história", terá transmissão ao vivo da agência espacial Nasa para o mundo. 

Relevância

O eclipse é um fenômeno natural raro conhecido há pelo menos 3 mil anos. Para o astrofísico e autor do blog Telescópio, no site do Estado, Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), atualmente uma de suas utilidades é permitir a observação da coroa solar, a parte que envolve o sol. A coroa tem uma luminosidade tênue e durante um eclipse é a única ocasião em que pode ser vista, disse o pesquisador.

“Além disso, é um espetáculo astronômico impressionante e uma oportunidade para popularizar a astronomia e engajar as pessoas”, afirmou Rojas, que também integra a Comissão de Imprensa da Sociedade Astronômica Brasileira.

Em 2019 e 2020, os brasileiros terão outras oportunidades para observar parcialmente o fenômeno, que terá totalidade no Chile e na Argentina.

Cuidado

Para quem terá a chance de visualizar o eclipse do dia 21, uma das principais recomendações é nunca olhar diretamente para o astro, nem mesmo com óculos de sol. Filtros de soldador e vidros escuros são mais indicados para fazer a observação sem prejudicar a visão.

Outra regra é nunca olhar para o sol com instrumentos de aumento como lentes e telescópios que não estejam equipados com filtros. “Usar um binóculo e apontar diretamente para o Sol é jogar uma quantidade imensa de luz dentro do olho. Em alguns casos, pode até queimar a retina”, advertiu Costa.

Serviço

Onde pode ser visto no Brasil: Amapá, Roraima e norte de Amazonas, Pará, Piauí, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte.

Horário: entre 16h30 e 17h

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