Em Assis, papa liga o dinheiro à morte espiritual

'É uma boa ocasião para convidar a Igreja, que somos todos nós, a se livrar do materialismo', afirmou o pontífice

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2013 | 02h02

A Igreja Católica, do sacerdote mais modesto ao pontífice, deve livrar-se de toda "vaidade, arrogância e orgulho" e servir humildemente os membros mais pobres da sociedade. O apelo foi feito ontem pelo papa Francisco na cidade de Assis, na Itália, onde seu homônimo São Francisco viveu no século 12.

São Francisco é reverenciado pelos católicos e por muitos outros cristãos por sua simplicidade, pobreza e amor à natureza - qualidades que o argentino Francisco usa para dar o tom a seu papado desde a eleição em março. "Essa é uma boa ocasião para convidar a Igreja, que somos todos nós, a se livrar do materialismo", disse o papa em um aposento que marca o lugar onde o santo se despiu quando jovem, renunciando à riqueza de sua família, e resolveu servir os pobres. "Disse-me meu irmão bispo que é a primeira vez em 800 anos que um papa entra aqui", ressaltou.

"Quando nos meios de comunicação se fala da Igreja, acredita-se que a Igreja seja os padres, freiras, bispos, cardeais e o papa, mas a Igreja somos todos nós, como eu disse. E todos nós devemos nos despojar deste mundanismo: o espírito contrário ao espírito das bem-aventuranças, o espírito contrário ao Espírito de Jesus. O mundanismo nos faz mal."

Como tem feito reiteradas vezes, Francisco falou de improviso, claramente sensibilizado pelas pessoas pobres e doentes no aposento, assistidas pela organização católica Caritas. "A idolatria hoje é o pecado mais forte. Jesus disse que não se pode servir a dois senhores: ou Deus ou o dinheiro. No dinheiro está todo este espírito mundano, vaidade, orgulho. É ridículo que um verdadeiro cristão queira ir pela via deste mundanismo, que é uma atitude assassina. Mundanismo espiritual mata! "

Reforma da Cúria. Ontem, em Aparecida, d. Raymundo Damasceno, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), comentou o processo de reforma da Igreja, a cargo de oito cardeais que terminaram ontem seu primeiro encontro de trabalho em Roma. Ele comentou que o objetivo da mudança é aumentar a participação dos cardeais e dos organismos que auxiliam o papa em seu pontificado. "O Sínodo dos Bispos vai sofrer uma reformulação em sua metodologia para que de fato seja um instrumento de colaboração", disse, sem dar detalhes. / GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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