Paul Rogers/The New York Times
Paul Rogers/The New York Times

Estudo destaca relação entre problemas de sono e tendências suicidas

Pesquisa foi apresentada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos

O Estado de S.Paulo

28 Junho 2017 | 18h43

Os problemas de sono podem levar a tendências suicidas em adultos jovens, segundo um informe que a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, apresentou nesta quarta-feira, 28. O estudo destaca que o tratamento dos problemas relacionados à falta de sono pode aliviar a tendência suicida, a segunda causa no país de mortes de adultos jovens, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês).

"O suicídio é o resultado trágico de doenças psiquiátricas que interagem com múltiplos fatores de riscos biológicos, psicológicos e sociais", destacou Rebecca Bernert, professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento de Stanford e autora principal do informe.

"As alterações do sono se diferenciam de outros fatores de risco porque são visíveis como um sinal de alerta, ainda que sejam altamente tratáveis", enfatizou Rebecca.

Publicado na revista científica Diário de Psiquiatria Clínica, o informe oferece uma luz importante para o tratamento deste problema. 

A pesquisa recolheu informação objetiva e reportada por 50 adultos de idades entre 18 e 23 anos e alto risco de suicídio, selecionados a partir de uma base de pesquisa de cerca de 5 mil estudantes universitários.

O sono dos participantes do estudo foi observado objetivamente durante uma semana na qual usaram um sensor especial no pulso - válido para medições de sono - para determinar se dormiam ou estavam acordados e tentando dormir.

Tanto no início da pesquisa como 7 e 21 dias depois, os participantes responderam a questionários desenvolvidos para medir a gravidade de seus sintomas suicidas, insônia, pesadelos, depressão e consumo de álcool.

Aqueles que tinham maior grau de variação entre o momento em que dormiam à noite e a hora em que despertavam mostraram uma tendência superior a experimentar sintomas suicidas nas revisões dos 7 e 21 dias.

Da mesma forma, aqueles que reportaram maior quantidade de horas de insônia e pesadelos mostraram tendências suicidas mais altas.

"Os transtornos do sono e as ideias suicidas são ambos sintomas de depressão, motivo pelo qual é crítico compreender estas relações e avaliar os fatores que se sobressaem para prever o risco", disse Rebecca. 

"Acreditamos que o estudo das perturbações do sono pode representar uma importante oportunidade para a prevenção do suicídio."/EFE

Mais conteúdo sobre:
Estados Unidos Ciência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.