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Estudo levanta hipótese de transmissão de Alzheimer

Pesquisa revela que pacientes que adquiriram doença de Creutzfeldt Jakob após procedimento cirúrgico tinham nos cérebros fragmentos de proteína ligada à doença de Alzheimer

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 19h48

Um novo estudo sugere que fragmentos de uma proteína encontrada no cérebro de indivíduos com a doença de Alzheimer podem ser transmitidos para outras pessoas a partir de contaminação por certos procedimentos médicos ou cirúrgicos. 

A hipótese de que o Alzheimer poderia ser transmissível foi levantada com base em uma pesquisa feita em corpos de pacientes mortos com a doença de Creutzfeldt Jakob (DCJ), popularmente conhecida como "doença da vaca louca". O estudo foi publicado nesta quarta-feira, 9, na revista científica Nature.

Segundo os autores, a pesquisa não traz nenhuma evidência de que o Alzheimer possa ser contagioso, mas o estudo do cérebro de oito pacientes mortos com DCJ sugere que "sementes" da proteína beta amiloide podem ser transmitidos por procedimentos médicos. Essas proteínas, típicas da doença de Alzheimer, formam placas entre as células do cérebro, impedindo que elas se comuniquem entre si - um marco da doença.

Os oito pacientes cujos cérebros foram estudados desenvolveram a DCJ depois de receberem injeções de hormônio do crescimento obtidas a partir de cadáveres entre 1958 e 1985, quando essa técnica de obtenção do hormônio foi banida. Além dos agentes infecciosos da DCJ, os cientistas encontraram também, em quatro dos cérebros, níveis consideravelmente altos da proteína beta amiloide, sugerindo que as "sementes" do Alzheimer teriam sido adquiridas durante o procedimento cirúrgico. 

Os autores, no entanto, destacam que não há motivos para temor, já que o contágio é ainda apenas uma hipótese. "Nosso estudo está especificamente relacionado às injeções de hormônios do crescimento derivadas de cadáveres, um tratamento que não existe mais há anos. É possível que a descoberta possa se aplicar também a outros procedimentos médicos ou cirúrgicos, mas para avaliar esse risco será preciso fazer mais pesquisas", disse o líder do estudo, John Collinge, da College University London (Reino Unido).

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