Nir Elias/Reuters
Nir Elias/Reuters

Estudo revela que utilizar GPS para orientação 'desliga' áreas do cérebro

Pesquisadores analisaram atividade cerebral de voluntários enquanto circulavam por simulação de bairro

O Estado de S.Paulo

21 Março 2017 | 16h25

A utilização do Sistema de Posicionamento Global, mais conhecido como GPS, para chegar a um destino desliga áreas do cérebro que seriam ativadas para simular diferentes rotas caso o indivíduo não se valesse do sistema de orientação via satélite, afirmou nesta terça-feira, 21, um estudo publicado na revista científica Nature.

A pesquisa, realizada pela University College de Londres, no Reino Unido, contou com 24 voluntários cujos cérebros foram analisados enquanto "circulavam" por uma simulação digital do bairro de Soho, na capital britânica.

Os pesquisadores analisaram sua atividade no hipocampo, uma região do cérebro relacionada com a memória e a navegação, e o córtex pré-frontal, outra região encarregada do planejamento e da tomada de decisões.

Assim, os cientistas puderam observar que, quando os voluntários não se valiam de um sistema de navegação por satélite, seu hipocampo e o córtex pré-frontal tinham picos de atividade quando entravam em novas ruas.

Esta atividade cerebral aumentava ainda mais quando o número de opções era maior. Por outro lado, não se observou nenhuma mudança na atividade cerebral quando os voluntários seguiam as instruções do GPS.

O estudo também revelou que ao passar por lugares em que várias ruas convergem, a atividade melhora no hipocampo, enquanto esta quase não apresenta variação quando o objeto de estudo entra em um beco sem saída.

Um dos autores, o professor de psicologia Hugo Spiers, explicou que os resultados de sua observação comprovam que "quando a tecnologia está nos dizendo aonde temos que ir, estas partes do cérebro não respondem diretamente".

"Nosso cérebro desliga o interesse nas ruas que nos cercam", afirmou o professor.

Além disso, a equipe analisou a rede de ruas de outras grandes cidades do mundo para averiguar em quais era mais fácil se orientar.

Assim, os estudiosos analisaram, por exemplo, que enquanto Londres é uma das cidades mais complicadas neste sentido, Manhattan requer muito menos esforço mental por seu formato de ruas retas.

Experimentos anteriores realizados pela mesma universidade mostraram que o hipocampo dos taxistas de Londres se expandia na medida em que eles memorizavam as ruas e paisagens da capital britânica. Por outro lado, os motoristas que utilizavam o GPS não apresentavam melhora neste aspecto, limitando assim seu conhecimento das ruas da cidade. /EFE

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