Estudo usa ginseng vermelho contra tumores de mama

Planta da família da sálvia é capaz de impedir a proliferação de células doentes; nova fase da pesquisa começa em 2015

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Pesquisadores brasileiros e de Cingapura estão conduzindo um estudo para o combate do câncer de mama usando uma planta da família da sálvia capaz de impedir a proliferação de células cancerígenas. Uma substância no danshen, também conhecido como ginseng vermelho, está, atualmente, em teste com camundongos e deve começar a ser testada em seres humanos entre o fim do próximo ano e o início de 2016.

A pesquisa teve início em 2010, quando se sabia que a planta era usada na medicina chinesa em doenças cardiovasculares. “Havia indícios (de que a planta podia combater o câncer de mama), mas não sabíamos qual era a molécula. Então, chegamos à tanshinona, substância que mata as células do câncer”, explica Gilberto Lopes, que colidera o estudo e é oncologista do Hospital do Coração (HCor) e professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Após identificar a molécula, os pesquisadores fizeram modificações e chegaram a uma substância denominada acetiltanshinona 2A (ATA), que será utilizada no futuro medicamento. A substância atua inibindo a ação do hormônio estrógeno. “Muitos cânceres de mama dependem do estrógeno para crescer, multiplicar-se e se espalhar para os outros órgãos, a metástase. O ATA se junta ao receptor de estrógeno e o destrói.”

Segundo Lopes, os testes em animais têm sido animadores. “Já sabemos que funciona em modelos animais. Estamos testando o tratamento em ratos e não vimos nenhuma toxicidade grande. Eles não morreram nem ficaram intoxicados.”

EUA. Após a finalização dos testes, os resultados serão encaminhados para a FDA (Food and Drugs Administration), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, para ter autorização para iniciar os testes em humanos. “Os estudos têm três fases: na primeira, para segurança, (participam) de 40 a 80 pacientes. Da segunda, para mostrar o efeito, (participam) de 40 a 200 pacientes. Estudos de fase 3 revelam se o tratamento novo é melhor que o de rotina.”

De acordo com Lopes, os testes devem começar simultaneamente no Brasil e em Cingapura, por causa da nacionalidade dos pesquisadores. O investimento para os estudos em seres humanos deve ficar entre US$ 1 milhão e US$ 3 milhões, o equivalente a um valor entre R$ 2,5 milhões e R$ 7,5 milhões.

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