EUA querem dobrar número de alunos brasileiros

Esse é o objetivo do subsecretário de comércio internacional, que veio ao País participar de feira com 66 instituições de ensino americanas

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2012 | 19h14

Quando foi designado para o cargo de subsecretário de comércio internacional do governo dos EUA, Francisco Sánchez ganhou uma missão do presidente Barack Obama: dobrar o número de exportações americanas ao mundo inteiro. Agora, de passagem pelo Brasil para participar do 10.º Circuito Sul-Americano de Feiras Education USA - que chega a São Paulo na segunda-feira, 3, no Intercontinental Hotel -, o subsecretário se lançou a um objetivo tão ambicioso quanto o anterior: dobrar o atual número de brasileiros que escolhem as instituições de excelência americanas para estudar.

"Na minha perspectiva, a relação bilateral Estados Unidos-Brasil é estratégica, está se aprofundando a cada ano e as nossas universidades e faculdades reconhecem a importância dessa relação", disse Sánchez, em entrevista ao Estado. "Elas veem que o Brasil está se tornando política e economicamente mais importante e querem participar desse processo. O Brasil é uma prioridade para nós."

Sánchez desembarcou no Brasil na semana passada acompanhado de uma comitiva formada por representantes de 66 faculdades e universidades americanas, entre elas a Columbia University, Michigan State University, University of Florida e a New York Film Academy, que oferecem um abrangente portfólio de cursos, das ciências exatas a cinema.

Meta ambiciosa. Atualmente, cerca de 9 mil estudantes brasileiros estudam em universidades e faculdades americanas, número muito aquém do de indianos e chineses, que superam os 100 mil cada.

"Queremos mais que dobrar esse número", afirmou Sánchez. "Gostaria de ver a quantidade chegar a 15 mil ou mais dentro de três, cinco anos. É uma meta ambiciosa, mas estamos trabalhando em parceria com o governo brasileiro para alcançá-la."

Em discurso na quinta-feira, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a presidente Dilma Rousseff destacou a missão americana. "Essas universidades querem receber, pelo menos, 1/5 dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras, um movimento que, certamente, vai trazer desdobramentos mais positivos para a relação bilateral entre as nossas sociedades. Sociedades de duas importantes economias. Porque hoje nós somos uma importante economia", destacou Dilma.

Na prática. Sánchez fala de estudar no exterior com a propriedade de quem viveu essa experiência. Aos 22 anos, depois de concluir o curso de Direito, tirou um ano de férias e foi conhecer 23 países.

Depois, aproveitou o verão americano para um curso intensivo de seis semanas no Brasil para estudar a língua portuguesa. "Essas experiências tiveram um impacto tremendo na minha formação", diz Sánchez.

As discussões com as autoridades brasileiras envolveram também a viagem contrária - trazer americanos para o Brasil, em áreas que despertam o interesse dos EUA, como agricultura e energia. Uma das hipóteses é compartilhar experiências de estágio - levar brasileiros para empresas americanas e vice-versa.

"Temos muito o que aprender um com o outro", afirmou o subsecretário. "Nossas universidades são o melhor investimento que um pai poderia dar ao seu filho. Além de conveniência e matrícula, estamos falando de qualidade, de alta qualidade."

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