Fazer o bem aumenta força de vontade e resistência, indica estudo

Realizar ações claramente boas ou más elevou resistência de voluntários em estudo americano

estadao.com.br

19 Abril 2010 | 16h56

Uma nova pesquisa realizada pela Universidade Harvard indica que ações morais podem aumentar a capacidade humana de exercer força de vontade e a resistência física. Participantes do estudo que realizaram boas ações - ou que apenas imaginaram-se ajudando outros - foram mais capazes de executar tarefas que requeriam resistência física.

 

A pesquisa, publicada no periódico Social Psychological and Personality Science, mostra ainda que praticar más ações aumenta a força física.

O pesquisador Kurt Gray, doutorando de Psicologia em Harvard, explica que esses efeitos podem ser um tipo de profecia que se autorrealiza.

 

"As pessoas veem os que fazem o bem ou o mal como tendo mais eficácia, mais força de vontade e menos vulnerabilidade ao desconforto", disse Gray. "Ao encarar a si mesmos como boas ou más, as pessoas encarnam essas percepções, tornando-se de fato mais capazes de esforço físico".

 

O trabalho de Gray indica que talvez não sejam as pessoas mais dotadas de força de vontade que são capazes de heroísmo, mas que atos heroicos estimulem essa qualidade.

 

"Gandhi ou madre Teresa podem não ter nascido com um autocontrole extraordinário, mas talvez tenham vindo a possuí-lo depois de tentar ajudar os outros", disse Gray,  que chama o efeito de "transformação moral".

 

Ele diz que esse efeito pode ter implicações na vida prática - por exemplo, talvez seja útil ajudar os outros antes de se submeter a uma prova de força de vontade, como fazer dieta. "talvez o melhor jeito de resistir aos doces no trabalho seja doar os trocados para uma caridade", sugere.

 

Boas ações também poderiam ser usadas como terapia auxiliar para ansiedade e depressão.

 

As ideias de Gray se baseiam em dois estudos. No primeiro, participantes receberam 1 dólar e podiam ficar com ele ou doá-lo para caridade. Em seguida, pediu-se que suportassem um peso de 2,5 kg pelo máximo de tempo que pudessem. Em média, os que doaram o dinheiro conseguiram segurar o peso por 10 segundos a mais.

 

Em um segundo estudo, participantes seguravam um peso enquanto escrevia histórias onde ajudavam outros ou prejudicavam outros ou não tinham nenhum impacto sobre outras pessoas. Nesse caso, os benfeitores resistiram mais tempo que os neutros, mas menos que os malfeitores.

 

"Seja você herói ou vilão, parece haver poder em ações morais", disse Gray.

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