Arte/Estadão
Arte/Estadão

Fonte de descobertas, Hubble faz 25 anos

Telescópio espacial da Nasa deu origem a 12,8 mil artigos a partir de 1 milhão de observações

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2015 | 03h00

Lançado em 24 de abril de 1990, o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, chega aos 25 anos como um dos instrumentos científicos mais produtivos do mundo: suas observações já resultaram em mais de 12,8 mil artigos. 

Em sua órbita, a 550 quilômetros de altitude, o Hubble já percorreu 4,8 bilhões de quilômetros em torno da Terra e fez mais de um milhão de observações. Estar no espaço é seu grande trunfo. Livre das turbulências da atmosfera terrestre, o telescópio de mais de 13 metros de comprimento fotografa objetos astronômicos muito distantes com a precisão que nenhum outro instrumento na Terra teria. 

“Por não ser afetado pelas turbulências da atmosfera, o Hubble consegue enorme nitidez. Esse é um dos fatores que o tornaram um instrumento extremamente importante para a astronomia”, disse João Steiner, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica da USP. 

Segundo ele, outro fator para o sucesso do telescópio é a capacidade de fazer imagens não apenas com base na luz visível, mas também na radiação ultravioleta. “É algo extraordinário, que amplia enormemente o alcance do que pode ser observado. O Hubble capta ondas em uma faixa do espectro eletromagnético que seria impossível observar do chão, porque elas são absorvidas pela atmosfera.” 

Conhecimento. De acordo com Steiner, o projeto de construção do Hubble impulsionou uma série de avanços na tecnologia espacial. Mas sua grande contribuição foi mesmo para o progresso do conhecimento sobre o universo. 

“O Hubble contribuiu em muitas áreas da astronomia, de tal maneira que o conjunto da obra é que o tornou um equipamento espetacular. Mas é possível citar algumas descobertas de grande impacto, como a da existência da energia escura, em 1998.” De acordo com Steiner, isso seria impossível sem as imagens em alta resolução do telescópio espacial. 

“Hoje, conhecemos as massas de cem buracos negros e metade deles devemos ao telescópio”, afirmou. “Devemos diretamente ao Hubble, também, a descoberta dos discos protoplanetários, que existem em torno de estrelas em formação e que, supomos, evoluirão para se tornarem novos planetas.”

Disponível. As imagens feitas pelo Hubble se transformam em um manancial inesgotável de pesquisas. Os dados gerados pelo telescópio são de propriedade dos proponentes das pesquisas durante cerca de um ano, segundo Steiner. Depois disso, eles se tornam públicos. 

“Meu grupo mesmo utiliza muitos dados do telescópio espacial. Após 25 anos de observação, há uma riqueza de informações imensa, que está à disposição da ciência.”

Mais conteúdo sobre:
Hubble Ciência Astronomia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.