Fumaça negra e chuva em Roma não abalam multidão na Praça São Pedro

Eles vieram aos milhares para saudar um novo papa, apenas para ter qualquer esperança frustrada por uma nuvem de fumaça preta, mas isso não abalou a emoção da multidão reunida debaixo de chuva no Vaticano nesta quarta-feira.

NAOMI OLEARY E CATHERINE HORNBY, Reuters

13 Março 2013 | 12h54

A maioria das pessoas na Praça de São Pedro conhecia bem os rituais da Igreja Católica Romana para saber que a fumaça branca, que significa a nomeação de um novo papa, não deveria surgir depois da primeira etapa completa de votação no conclave nesta quarta-feira.

"Você não pode esperar um papa de microondas", disse Adrian Britton, um artista de 34 anos de idade e missionário de Maryland. "É todo um processo."

"Esses homens estão tentando cuidadosamente descobrir quem deve ser o próximo a liderá-los. Estou até feliz que não era fumaça branca porque acabei de chegar", acrescentou Britton, que disse que os amigos na sua paróquia haviam pagado para ele vir a Roma e orar por eles durante o conclave.

A multidão se animou quando os primeiros tufos de fumaça surgiram no final da manhã, apenas para suspirar novamente quando ficou evidente que a fumaça era preta.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que havia mais pessoas ma Praça de São Pedro do que ele esperava e os números deveriam aumentar novamente no final da tarde desta quarta-feira quando os romanos vão à praça depois do trabalho para ver os resultados das votações da tarde.

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Aqueles que esperavam a fumaça tinham opiniões fortes sobre quem deve liderar uma Igreja que tem sido abalada por escândalos sexuais e acusações de corrupção e conflitos em sua administração.

"É importante ter um papa que esteja interessado nos jovens, e em trabalhar mais com as paróquias", disse Kristian Brink, um dinamarquês de 21 anos de idade, que matou aulas da universidade La Sapienza, de Roma.

"Um papa de outro continente seria bom, nem sempre da Europa", acrescentou Brink, que tinha uma bandeira dinamarquesa vermelho-e-branca sobre os ombros. "Eu apoio o filipino", disse ele sobre o cardeal Luis Tagle. "Ele também é jovem."

Tagle, 55 anos, é o arcebispo de Manila, e tem um carisma muitas vezes comparado com o do papa João Paulo 2º. O nome de Tagle estava na boca de muitos daqueles que aguardavam do lado de fora do Vaticano.

Patricia Seidenberger, uma aposentada de 61 anos de Bethlehem, Pensilvânia, disse que esperava que os cardeais escolhessem um reformador. "Vindo da América, eu acho que estamos um pouco mais liberais", afirmou ela. "O novo papa precisa levar todos os pontos de vista em consideração e compreender um pouco mais os problemas do mundo."

O italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer são citados por fontes do Vaticano como os dois candidatos com maior probabilidade de serem escolhidos como o novo papa. A eleição de Scola retornaria o papado para a Itália depois de um hiato de 35 anos, enquanto dom Odilo seria o primeiro papa não-europeu em quase 1.300 anos.

Seidenberger disse que os cardeais devem estar preparados para olhar para mais longe: "Ele deve vir de uma das regiões onde o número de católicos está aumentando rapidamente", afirmou ela. "Uma pessoa de uma região como essa poderia trazer uma perspectiva diferente do que está acontecendo no mundo."

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