Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Goldemberg assume Fapesp e aposta em parceria

Físico tomou posse como presidente da fundação com plano de aproximá-la da sociedade; primeira ideia é trabalhar com cientistas em secretarias de Estado

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2015 | 13h58

Atualizada às 20h42

SÃO PAULO - O físico nuclear José Goldemberg, de 87 anos, tomou posse nesta terça-feira, 8, como presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Após a cerimônia, na sede da Fapesp, em São Paulo, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), do ex-presidente da Fundação, Celso Lafer, e de diversas autoridades, Goldemberg afirmou que pretende aproximar a Fapesp das demandas da sociedade. Para isso, a fundação auxiliará o governo na implementação de cargos de cientistas-chefes em todas as secretarias. 

“Ao assumir o cargo de presidente da Fapesp, o que sinto é a existência de um clamor para que aumente a interface entre as ações da Fapesp e a sociedade - isto é, indústria, educação e comércio e assim por diante. A iniciativa que o governador Alckmin já autorizou, de criar o cargo de cientista-chefe em cada uma das secretarias, é um passo nesse sentido”, disse Goldemberg ao Estado.

Segundo ele, o cientista-chefe de cada secretaria poderá procurar a Fapesp para obter as informações ou fazer as pesquisas necessárias para resolver problemas reais da população. “Com ajuda da Fapesp, o cientista-chefe poderá recomendar ao seu secretário quais são as melhores soluções para demandas que surgirem. A Fapesp dará todo apoio. Isso acontece em países como a Inglaterra, onde todos os ministérios têm um cientista-chefe”, declarou. “Sinto que há um anseio de construir mais pontes entre a Fapesp e a sociedade”, disse Goldemberg.

Universidades. Em seu discurso de posse, Goldemberg disse que as universidades estaduais adotem um procedimento semelhante ao da Fapesp para lidar com o orçamento e reverter a crise financeira em que a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão mergulhadas.

"A lei que criou a Fundação, tem características originais e inovadoras mesmo sob a perspectiva de quem a lê em 2015: adotou um dos pilares da responsabilidade fiscal ao determinar que as despesas com administração não poderiam ultrapassar 5% do seu orçamento e os outros 95% utilizados exclusivamente nas atividades-fim. As universidades públicas, que também têm autonomia financeira, deveriam, ao meu ver, adotar procedimento análogo. As boas universidades do mundo destinam, em geral, cerca de 80% de seus recursos ao pessoal e o restante à infraestrutura de ensino e pesquisa.”

O físico destacou o “papel fundamental da Fapesp na elevação do nível científico e tecnológico do Estado” e a cooperação internacional, que “recebeu grande impulso sob a presidência do professor Celso Lafer nos últimos anos”.

Goldemberg citou problemas que merecem “estudos do estado da arte”, como produção de vacinas contra a malária e a dengue, eficiência energética, mobilidade urbana, conflitos sociais, mudanças climáticas e os limites éticos entre engenharia e genética”.

Lafer, em seu discurso de transmissão do cargo, ressaltou a importância de a Fapesp ter “a autonomia balizada pelo teto de 5% de seu orçamento com gastos da própria administração para permitir que os 95% restantes do seu orçamento sejam mobilizados em atividades-fim da Fapesp”. Alckmin elogiou a gestão de Lafer e exaltou Goldemberg, que “fez um trabalho extraordinário na Secretaria de Meio Ambiente, assim como na USP”.

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