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Google anuncia US$ 600 mil para pesquisa na América Latina

Serão contemplados projetos de doutorado e mestrado; inscrições estão abertas até o dia 9 de junho

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

05 Maio 2016 | 00h00

RIO - Em meio à crise econômica que levou ao corte de bolsas por agências oficiais de fomento, o Google anuncia nesta quinta-feira, 5, um programa para financiar pesquisas científicas na América Latina. Serão distribuídos U$ 600 mil em projetos de doutorado e mestrado. O valor é o dobro do financiamento de 2015, quando oito, dos 12 projetos selecionados, foram brasileiros. A empresa informou ainda que financiará a participação da equipe da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no concurso do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). O grupo tem projeto de despoluição de mercúrio nos rios da Amazônia a partir de bactérias geneticamente modificadas. Foi premiado em 2014, mas não teve recursos para voltar à competição, conforme o Estado noticiou na semana passada.

O Google pagará bolsa de US$ 1,2 mil (R$ 4.234) para alunos de doutorado e US$ 750 (R$ 2.646) para os de mestrado. O orientador da pesquisa também será beneficiado, com U$ 750 ou U$ 675 (R$ 2.384). Poderão se inscrever pesquisadores das áreas de ciência da computação, engenharia ou áreas afins. “Nosso compromisso é com qualidade. Buscamos os melhores projetos, os mais interessantes”, disse o diretor do Centro de Engenharia do Google em Belo Horizonte, Berthier Ribeiro-Neto, coordenador do programa de bolsas. As inscrições estão abertas desta quinta-feira, 5, até 9 de junho no endereço g.co/ResearchAwardsLatinAmerica.

“Google é uma empresa que nasceu a partir de um protótipo de tecnologia desenvolvido na Universidade de Stanford. O escritório de engenharia do Google em BH também nasce em protótipo de tecnologia desenvolvido dentro dos laboratórios da UFMG. Valorizamos naturalmente o que acontece em academia. Apoiar alunos, professores e ideias é estimular o desenvolvimento de protótipos que possam ser sementes de novos empreendimentos”, afirmou Ribeiro-Neto.

Em 2015, entre as pesquisas selecionadas estava a do pesquisador Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, que desenvolve um sensor de fêmeas de Aedes aegypti, que ajudará as equipes de epidemiologia a determinar a população de mosquito de uma região e traçar o melhor modo de combate.

“Nesse momento de crise, com possibilidade de redução de bolsa com fomento, é louvável uma ação como essa para financiar tanto o professor quanto o aluno. A bolsa é cedida para o docente sem restrição. Durante o projeto, criamos pequenos hardwares e usamos a bolsa para pagar esses gastos. É um dinheiro sem burocracia”, afirmou Batista.

O projeto do sensor usa fonte de luz, como laser. Quando o inseto passa, o equipamento capta a alteração da luz causada pelo movimento das asas e reconhece a espécie e ainda se é macho ou fêmea. Se for a fêmea do Aedes aegypti, o sensor  captura o inseto. “Você precisa saber onde os mosquitos estão para fazer o controle efetivo e traçar estratégias de combate. Os equipamentos atuais são armadilhas mecânicas, recolhidas de tempos em tempos, e depois é preciso fazer a contagem manual. O sensor já mostra essa densidade automaticamente”, afirmou Batista.

O Google também anunciou que financiará com R$ 15 mil a participação da equipe da Ufam na iGEM (Competição Internacional de Máquinas Geneticamente Modificadas), marcada para outubro, em Boston. A equipe do professor Carlos Gustavo Nunes da Silva tentava fazer um rateio na internet para conseguir pagar a inscrição no concurso de pelo menos quatro pesquisadores. Eles tinham cerca de R$ 8 mil.

A partir da publicação no Estado, a coleta online atingiu R$ 37 mil. Além do Google, a empresa Tecfil doará mais R$ 10 mil e um banco de investimentos se comprometeu a completar o que falta para alcançar os R$ 70 mil necessários ao envio da equipe completa para os Estados Unidos - dois professores e dez pesquisadores.

“Acredito que daqui para a frente teremos apoio para sair do nível da competição e passar para a pesquisa aplicada, de forma a que realmente possa virar um produto. Outras empresas estão nos procurando para doar equipamentos, pagar passagem. Um brasileiro de Boston quer pagar as inscrições individuais. Queremos levar o máximo de alunos possível” afirmou Silva.

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