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Hominídeo de 3,5 milhões de anos é achado na Etiópia

Novo 'Australopithecus' indica que ancestrais do homem coexistiram na mesma região da África

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 21h05

Um grupo de cientistas descobriu na Etiópia uma nova espécie de hominídeo que viveu há cerca de 3,4 milhões de anos. Ele foi batizado de Australopithecus deyiremeda e era contemporâneo do Australopithecus afarensis, espécie que ficou famosa com a descoberta do fóssil Lucy, desenterrada em 1974 também na Etiópia. 

De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira, 27, na revista Nature, a descoberta é mais uma prova de que múltiplas espécies de hominídeos coexistiram na mesma região no período Plioceno. 

Os cientistas, liderados por Yohannes Haile-Selassie, do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, descreveram no artigo a análise dos dentes e da mandíbula fossilizados de um exemplar da nova espécie. Ele foi encontrado em 2011 na região de Afar, no centro da Etiópia, a menos de 35 quilômetros do local onde havia sido descoberto o fóssil de Lucy.

“Temos, agora, uma prova indiscutível de que várias espécies de hominídeos viveram ao mesmo tempo no leste da África”, disse Haile-Selassie.

Segundo os autores do estudo, o tamanho e o formato dos dentes colocam o novo fóssil mais próximo dos Australopithecus que de outros hominídeos. No entanto, características distintas das encontradas no Australopithecus afarensis levaram os cientistas a classificar o fóssil como uma nova espécie. 

O nome Australopithecus deyiremeda provém do dialeto local de Afar e significa “próximo” (deyi) e “parente” (remeda), remetendo ao fato de a espécie ter parentesco próximo com todos os hominídeos posteriores.

Segundo os autores os fragmentos de mandíbulas e alguns dentes isolados pertenceram a pelo menos dois indivíduos. 

A equipe que realizou o estudo já havia encontrado, na mesma região, parte de um pé de 3,4 milhões de anos, que parecia pertencer a hominídeos mais antigos. Mas não foi possível associar esse fóssil a nenhuma espécie em particular. 

O novo fóssil - que não tem relação com o pedaço de pé -, fornece as provas necessárias para estabelecer uma nova espécie, o que expande a diversidade de hominídeos nessa época. Mas a ciência ainda não identificou os fatores ambientais e ecológicos que promoveram uma variedade de hominídeos tão grande na África oriental em meados do Plioceno, há cerca de 3,5 milhões de anos.

Mais fósseis. Além do Australopithecus afarensis, já se conhecia também o Australopithecus bahrelghazali, descoberto em 1996 no Chade. O espécime, batizado de Abel, viveu há 3,6 milhões de anos. 

Outro hominídeo da mesma época, o Kenyanthropus platyops, com 3,4 milhões de anos, foi achado em 2001 no sítio de Lomekwi, no Quênia. A menos de 1 quilômetro dali, foram encontradas as ferramentas de pedra mais antigas conhecidas, com cerca de 3,3 milhões de anos, descritas em estudo publicado no dia 20.

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