Igreja Anglicana deve desculpas a Darwin, diz clérigo

A postura da igreja difere da de cristãos fundamentalistas, que acreditam que a evolução nega a Bíblia

15 Setembro 2008 | 14h18

A Igreja Anglicana deve um pedido de desculpas a Charles Darwin, por ter recebido com hostilidade a teoria da evolução no século XIX, escreveu um clérigo em um website da religião lançado nesta segunda-feira, 15.   Cientista britânico propõe ensino do criacionismo em escolas   O reverendo Malcolm Brown, que chefia o departamento de relações públicas da igreja, emitiu a declaração para marcar os 200 anos de Darwin e os 150 anos do livro A Origem das espécies. Ambas as datas serão celebradas em 2009.   Brown disse que a Igreja da Inglaterra deveria dizer que lamenta não ter entendido as descobertas do naturalista na época e, "por reagir de forma errada no início, ter encorajado outros a interpretar (Darwin) errado também".   A Igreja Anglicana disse que a declaração de Brown reflete a visão da hierarquia, mas não constitui um pedido oficial de desculpas.   A postura da igreja difere da de cristãos fundamentalistas, que acreditam que a teoria evolutiva é incompatível com o relato bíblico da criação.   Darwin nasceu numa família anglicana, foi educado num internato da igreja e chegou  a estudar para o sacerdócio. Mas sua teoria de que as espécies evoluem ao longo das gerações por um processo de seleção natural colocou-o em conflito com a igreja.   A Igreja Anglicana não assumiu uma postura oficial de oposição ao darwinismo, mas muitas figuras importantes da igreja combateram as idéias de Darwin.   Em um debate na Universidade Oxford em 1860, o bispo Samuel Wilbeforce perguntou a um apoiador de Darwin, o cientista Thomas Huxley, se ele descendia de um macaco pelo lado da mãe ou pelo lado do pai. Em 1992, o papa João Paulo II disse que Igreja Católica Romana tinha errado ao condenar Galileu Galilei por afirmar que a Terra gira em torno do Sol.    Mas um descendente   de Darwin disse que as desculpas não têm muita utilidade. "para que se preocupar?", disse tataraneto de Darwin, Andrew Darwin, ao jornal Daily Mail. "Quando as desculpas chegam 200 anos depois, é menos para corrigir um erro e mais para fazer com que a pessoa ou organização que pede as desculpas se sinta melhor".

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