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Igreja é acusada de obstruir investigação sobre abusos sexuais

Ministra alemã da Justiça afirma que Vaticano determina que casos graves não sejam revelados fora da Igreja

ANSA,

08 Março 2010 | 15h27

A ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, acusou nesta segunda-feira, 8, o Vaticano de dificultar as investigações sobre as denúncias de abusos sexuais cometidos por religiosos no país.

 

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"Nas numerosas escolas e institutos, há um muro de silêncio", comentou a ministra em entrevista à rádio Deutschlandfunk. "Penso que este muro de silêncio está certamente ligado ao fato que, seguindo a linha diretiva de 2001, abusos assim graves são relatados ao Papa de modo confidencial e não devem ser revelados fora da Igreja", explicou Schnarrenberger.

 

Segundo ela, esta diretiva estabelece que as suspeitas de abuso sexual devem ser examinadas somente no interior da Igreja Católica e não prevê a intervenção imediata da Procuradoria.

 

Desde o início do ano, a Igreja Católica do país europeu enfrenta denúncias de abusos sexuais cometidos nas décadas de 1970 e 1980 em escolas jesuítas locais. Na última semana, também veio à tona casos ocorridos no coro de rapazes da catedral de Regensburg, que fora conduzido pelo irmão de Bento XVI, Georg Ratzinger, entre 1964 a 1994.

 

Segundo informou o vice-diretor da sala de imprensa da Santa Sé, padre Ciro Benedettini, chegou ao Vaticano um pedido para que o Pontífice envie um representante apostólico à abadia beneditina de Ettal, na Baviera, onde teriam ocorrido os crimes entre 1970 e 1980. O padre, porém, não deu nenhuma resposta definitiva sobre o envio ou não de um representante.

 

Na semana passada, o abade Barnabas Boegle e o prior e diretor da escola monástica, Maurus Krass, pediram demissão e foram destituídos de suas funções. Ettal, que possuiu autonomia jurídica, faz parte da diocese de Munique e Freising. Entre 1979 e 1983, o arcebispo da região era o papa Bento XVI.

 

Já em relação às denúncias no coral alemão, o jornal L'Osservatore Romano afirmou, em sua edição de sábado passado, que o Vaticano quer que "estes casos sejam esclarecidos", com o objetivo de "fazer justiça às eventuais vítimas".

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