Imagens do Hubble permitem medir movimento de centenas de estrelas

Aglomerado NGC 3603 ainda não se aquietou, de acordo com as medições

estadao.com.br

02 Junho 2010 | 15h18

O aglomerado NGC 3603, no destaque, visto em meio a seus arredores. HST/Nasa-ESA

 

A comparação de imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble num intervalo de dez anos permitiu que astrônomos medissem, pela primeira vez, minúsculos movimentos em várias centenas de jovens estrelas no interior do aglomerado NGC 3603. A observação revelou movimentos que não são compatíveis com as teorias atuais sobre a evolução desses aglomerados.

 

Com uma massa de mais de mais de 100.000 sóis acumulada em um volume com o diâmetro de três anos-luz, o aglomerado de estrelas jovens na nebulosa NGC 3603 é um dos mais compactos de nossa galáxia, a Via-Láctea.

 

Uma equipe de astrônomos do Instituto Max Planck de Astronomia e da Universidade de Colônia, encabeçada por Wolfgang Brandner, avaliou a movimentação das estrelas, para determinar se estariam se afastando ou se acomodando em suas posições.

 

A 20.000 anos-luz da Terra, o aglomerado requer grande precisão de imagens e um bom intervalo de tempo entre elas para permitir qualquer avaliação de movimento em seu interior.

 

Brandner e sua equipe encontraram uma imagem de NGC 3603 feita em 1997 pelo Hubble, e produziram observações de "follow-up" em 2007, usando a mesma câmera e o mesmo conjunto de filtros da fotografia original. Uma análise de dois anos se seguiu para que estimativas confiáveis da movimentação das estrelas fossem obtidas.

 

O principal autor do trabalho, Boyke Rochau, explica, em nota, que as medições têm a precisão de 27 milionésimos de segundo de arco ao ano. "Esse ângulo minúsculo corresponde à espessura aparente de um fio de cabelo humano visto a 800 km", afirma ele.

 

Os pesquisadores mediram as velocidades de mais de 800 estrelas. Cerca de 50 foram identifiacas como astros não pertencentes ao aglomerado, mas mais de 700 prosseguiram sob análise. O resultado surpreendeu os pesquisadores: este aglomerado de estrelas ainda não se aquietou. A velocidade das estrelas mostrou-se independente de suas massas, o que reflete as condições de formação do aglomerado, há cerca de 1 milhão de anos.

 

Estrelas nascem quando uma gigantesca nuvem de gás e poeira entra em colapso. Em casos como o da região formadora de estrelas NGC 3603, onde a nuvem original é incomumente pesada e compacta, o processo é rápido e intenso. A maior parte da matéria da nuvem acaba concentrada no interior de estrelas jovens e o aglomerado preserva muito de sua atração gravitacional original. 

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