Infecção por bactéria matou Mozart, indica nova análise

Estreptococo pode ter atacado a garganta do jovem músico e depois causado problemas nos rins

Associated Press,

18 Agosto 2009 | 16h12

Por mais de 200 anos, a música de Wolfgang Amadeus Mozart vive - como vive a especulação sobre a causa de sua súbita morte aos 35 anos, em 5 de dezembro de 1791.

 

Obra recém-descoberta de Mozart é desafio para intérprete

 

Teria o grande compositor sido envenenado por um rival invejoso? Sofria com um parasita intestinal adquirido consumindo carne de porco malpassada? Poderia ter se envenenado tentando achar uma cura para uma suposta infecção por sífilis?

 

Estudo publicado na edição desta terça-feira, 18, da revista Annals of Internal Medicine sugere algo bem mais banal: uma infecção de garganta provocada pela bactéria estreptococo, que teria causado falência renal.

 

Os pesquisadores analisaram os registros de óbito de Viena durante os meses em torno da morte de Mozart - novembro, dezembro e janeiro - e compraram com as causas de morte dos anos anteriores e seguintes.

 

"Vimos que, na época da morte de Mozart, houve uma pequena epidemia de mortes envolvendo edemas, ou inchaços, o que também foi uma marca da doença final de Mozart", disse o médico Richard Zegers, da Universidade de Amsterdã, um dos autores do estudo.

 

Houve um pico de mortes ligadas a inchaços entre homens jovens em Viena na época da morte de Mozart, ma comparação com outros períodos estudados, sugerindo uma pequena epidemia de infecção de estreptococo, disse Zegers.

 

A causa de morte registrada oficialmente pelas autoridades de Viena foi "febre e vermelhidão", embora até mesmo na época de Mozart já se soubesse que esses eram apenas sintomas, e não a doença em si.

 

As cartas deixadas pelo músico e sua produção artística indicam que ele vinha se sentindo bem nos meses anteriores à morte, e não sofria de doença crônica. Muitos relatos afirmam que ele caiu doente não muito antes de morrer, sofrendo de um inchaço tão grave, sua cunhada iria se lembrar décadas depois, que o compositor era incapaz de virar na cama.

 

Outras testemunhas dos últimos dias de Mozart que deixaram relatos falavam em inchaços, bem como dor nas costas, mal-estar e vermelhidão - todos sintomas que indicam que Mozart pode ter morrido de um problema nos rins causado por bactérias.

 

"Não é definitivo, mas dá o que  pensar", disse o médico William Schaffner, um especialista em doenças infecciosas que não tomou parte no estudo. Ele disse que não é implausível presumir que Mozart teria morrido de complicações de estreptococo, com base nos dados apresentados, mas ressaltou que os autores do trabalho tinham muito pouca informação para trabalhar.

 

"Infecções graves por estreptococo eram muito mais comuns na época do que são agora e, de fato, havia complicações muito graves", disse ele. "Isso com certeza vai lançar muitas discussões".

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