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Jogos de treinamento cerebral não deixam as pessoas mais espertas

Associated Press

20 Abril 2010 | 15h 01

Teste realizado por cientistas a pedido da BBC não encontrou benefício em treinamentos de inteligência online

Pessoas que jogam jogos de computador criados para desenvolver o cérebro poderiam muito bem estar jogando Super Mario, indica uma nova pesquisa. Em um estudo de seis semanas, especialistas descobriram que pessoas que jogam jogos criados para desenvolver as capacidades cognitivas  não ficaram mais espertas.

 

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Os pesquisadores recrutaram os participantes entre espectadores do programa científico da BBC Bang Goes the Theory ("Bang, Lá se Vai a Teoria"). Mais de 8.600 pessoas entre 18 e 60 anos jogaram jogos online criados para melhorar a memória, raciocínio e outras habilidades mentais por pelo menos 10 minutos ao dia, três vezes por semana. 

 

os voluntários foram comparados a 2.700 pessoas que não jogaram jogos cerebrais, mas passaram tempo comparável surfando a web e respondendo a questões de conhecimentos gerais. Todos os participantes foram submetidos a uma espécie de teste de QI antes e depois do experimento.

 

Os pesquisadores afirmam que as pessoas que fizeram o treinamento cerebral não se saíram nem um pouco melhor que as que simplesmente ficaram online. Em certas partes do teste, os surfistas da web se saíram melhor que os treneiros. O estudo foi publicado no website da revista científica Nature.

 

"Se você joga esses jogos para se divertir, ótimo", disse Adrian Owen, diretor-assistente da unidade de Cognição e Ciências do Cérebro do Conselho de Pesquisa Médico do Reino Unido, principal autor do estudo. "Mas se você estava esperando uma melhora no QI, nossos dados sugerem que não é o caso".

 

Jogos de computador disponíveis online e promovidos por empresas como a Nintendo e que supostamente melhoram a memória, o raciocínio e outras habilidades cognitivas são jogados por milhões de pessoas em todo o mundo, embora poucos estudos tenham, examinado como esses jogos funcionam.

 

"Há muito pouca evidência de que as perícias usadas nesses jogos se transfiram para o mundo real", disse Art Kramer, professor de Psicologia e Neurociência da Universidade de Illinois. Ele não tomou parte no estudo e não tem laços com as empresas responsáveis pelos jogos.

Kramer apresentou várias críticas á metodologia usada pelo programa da BBC e disse que alguns jogos cerebrais têm pequenos efeitos sobre as capacidades cognitivas. "O aprendizado é muito específico", disse ele. "A menos que o componente que você treinou realmente exista no mundo real, a transferência será mínima".

 

Em vez de jogar jogos cerebrais, as pessoas deveriam fazer exercícios físicos, disse ele. A atividade física, segundo Kramer, pode desencadear novas conexões entre os neurônios.

 

Outros especialistas dizem que os jogos cerebrais podem ser úteis se não forem divertidos. "Se você puser esses jogos num nível bem elevado, onde não se tenha a resposta certa com muita frequência e isso realmente incomodar, então poderia ser útil", disse Philip Adey, professor emérito de Psicologia e Neurociência do King's College.

 

Se as pessoas estão gostando dos jogos cerebral elas provavelmente não estão sendo desafiadas, disse ele. Adey sugere que aprender uma nova língua ou um novo esporte é o melhor jeito de estimular o cérebro. "para estimular o intelecto, você precisa de um desafio de verdade", disse ele. "Ficar espero requer trabalho duro".