Juiz nos EUA rejeita uso de 'leitura de mente' no tribunal

Parecer diz que técnica ainda não cumpre critérios para valer como prova num julgamento

estadao.com.br

01 Junho 2010 | 18h11

Na primeira decisão do tipo, um juiz federal dos Estados Unidos decidiu que a ressonância magnética funcional do cérebro não deve ser aceita como um detector e mentiras durante julgamentos, informa o boletim online da revista Science, o Science Insider.

 

Israelenses criam detector de mentiras que avalia escrita

 

O juiz Tu Pham emitiu um parecer de 39 páginas afirmando que a tecnologia não é confiável e não foi aceita pela comunidade científica. Segundo o Insider, cientistas que acreditam que a ressonância não está pronta para ser usada como um detector de mentiras nos tribunais ficaram aliviados com a manifestação.

 

Embora o parecer não tenha o valor de uma sentença, a opinião manifestada ali deve influenciar outros juízes.

O réu Lorne Semrau buscava incluir os resultados de ressonâncias em sua defesa num caso de fraude contra o sistema de saúde.

 

Embora o juiz Pham tenha reconhecido que a leitura do cérebro por ressonância satisfaz dois critérios usados nos EUA para definir se um tribunal deve aceitar evidências científicas -  ter sido testada e submetida a revisão pelos pares - ela falha em outros dois: ter precisão comprovada e aceitação geral no meio científico.

 

Pham destacou, por exemplo, que "não existe uma taxa de erro estabelecida para a detecção de mentiras baseada em ressonância fora de um ambiente laboratorial". Especialistas em Direito chamaram atenção para a importância da distinção entre contar uma mentira durante um experimento controlado e mentir numa situação real.

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