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Junta argentina planejava levar guerra à Europa

Plano de comandante da Marinha que pretendia afundar navios britânicos no estreito de Gibraltar foi descoberto por acaso por delegado espanhol

Ariel Palacios - O Estado de S. Paulo - Correspondente/Buenos Aires,

01 Abril 2012 | 11h13

BUENOS AIRES - O almirante Jorge Isaac Anaya, um dos três membros da junta militar argentina em 1982, pretendia "levar a Guerra das Malvinas à Europa". No início do conflito, ele elaborou alternativas para que a Argentina ganhasse a guerra sem entrar em combate direto no Atlântico Sul. O plano consistia em afundar navios rivais em Gibraltar, base britânica no sul da Espanha.

A ação, batizada de "Operação Algeciras", teria como base a cidade espanhola vizinha a Gibraltar. A intenção era afundar os navios da Grã-Bretanha sem reivindicar o ataque. Um grupo de ex-guerrilheiros montoneros e militares viajou à Espanha três semanas após a invasão argentina às Malvinas. Os explosivos foram até Madri via mala diplomática. No total, eram duas minas submarinas italianas com 25 quilos de TNT cada uma.

Dali, partiram de carro para o sul da Espanha. No meio do caminho, eles compraram um bote de borracha e fingiriam ser pescadores argentinos em viagem pela costa espanhola. Assim, circulariam pela baía de Algeciras sem levantar suspeitas.

Parte do grupo mergulharia no Mediterrâneo e colocaria as bombas no casco dos navios. O primeiro alvo seria o HMS Ariadne, que estava a ponto de atracar na base no dia 2 de maio, mas o ataque foi suspenso durante algumas horas, já que o presidente do Peru, Belaúnde Terry, propusera um plano de paz para ambos os lados. Anaya ordenou ao grupo que ficasse de sobreaviso, já que uma eventual explosão em Gibraltar poderia colocar a pique um plano de paz que favorecesse a Argentina.

No mesmo dia, o cruzador argentino General Belgrano foi afundado pelo submarino britânico HSM Conqueror fora da área de guerra. Anaya ordenou ao grupo que prosseguisse com a missão.

Os argentinos não conseguiram nem mesmo subir no bote. No dia 3 de maio, chamaram a atenção do delegado espanhol Miguel Catalán pelos gastos excessivos com dinheiro em espécie no hotel. O delegado considerou que eram "mal-encarados" e deduziu que deveriam ser narcotraficantes. Quando os deteve, depois de verificar que os passaportes eram falsos, o policial descobriu os explosivos.

Na delegacia, o chefe da missão, o capitão Rosales, pediu ao delegado um minuto a sós. Quando ficaram sozinhos no escritório, disse ao espanhol: "Sou oficial da Marinha argentina. Estou em uma missão secreta". O delegado riu: "Se você é um marinheiro argentino, eu sou sobrinho do papa".

Os trâmites para a detenção do grupo eram lentos e burocráticos. Cansados, os argentinos propuseram aos policiais espanhóis que todos almoçassem juntos. À mesa, o grupo revelou a missão. O delegado espanhol respondeu: "Que pena que você não me disse isso antes! Se soubesse que afundariam um navio britânico os teria deixado livres. Eles nos roubaram Gibraltar".

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