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Legalização não afetou acesso de jovens à maconha nos EUA

Estudo mostra que o número de adolescentes que consideram fácil conseguir a droga permaneceu o mesmo entre 2010 e 2014

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2016 | 09h00

Um estudo feito por pesquisadores americanos concluiu que a legalização do uso recreativo da maconha no Estado de Washington, em 2012, não aumentou a facilidade dos adolescentes para ter acesso à droga.

O estudo, liderado por Andrew Adesman, do Centro Médico Infantil Cohen, de Nova York, será apresentado no Encontro das Sociedades Acadêmicas Pediátricas, em Baltimore, nos Estados Unidos.

Os cientistas usaram dados de um levantamento público anual, feito no Estado, que inclui questões sobre facilidade de acesso a maconha, álcool, cigarros e outras drogas. Os resultados apontam que, em 2010, 55% dos adolescentes achavam "fácil" conseguir maconha. Em 2014, o número caiu para 54%.

"É tão surpreendente como reconfortante saber que os adolescentes não estão percebendo a maconha como uma substância mais acessível depois que seu uso recreativo foi legalizado para adultos", afirmou Adesman.

O estudo mostrou também, que, ao contrário do que ocorre com a maconha, os adolescentes estão achando que o acesso às outras drogas ficou mais difícil nos últimos anos. Segundo autores da pesquisa, isso sugere que as atuais políticas de saúde pública para a prevenção do abuso de drogas no país podem ser menos eficazes no caso da maconha.

Os adolescentes que achavam difícil ter acesso a álcool eram 43% do total em 2010 e 47% em 2014. No caso do cigarro, os que consideravam o acesso difícil eram 42% em 2010 e 53% em 2014. Para outras drogas ilegais, como cocaína, LSD e anfetaminas, o acesso foi considerado difícil para 75% dos adolescentes em 2010 e 82% em 2014.

"É interessante e, de alguma forma preocupante, que enquanto os adolescentes responderam, em 2014, que ficou mais difícil ter acesso a cigarros, álcool e drogas psicoativas, em comparação a quatro anos antes, eles não relataram uma maior dificuldade para obter maconha no mesmo período", disse Adesman.

Outra das autoras do estudo, Natalie Colaneri, disse esperar que os resultados do estudo levem a um aumento dos esforços para reduzir o acesso dos adolescentes à maconha em Washington e em outros Estados que estão legalizando o uso recreativo da droga.

"Considerando os efeitos nocivos à saúde associados ao uso da maconha, é importante que os Estados que escolham legalizar a droga tomem medidas para reduzir seu uso entre adolescentes", disse Natalie.

 

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