Lua pode ter crateras eletrificadas nos polos, dizem cientistas

Vento solar pode carregar as encostas dos polos lunares com centenas de volts

estadao.com.br

16 Abril 2010 | 19h20

À media que o vento solar flui sobre obstáculos naturais na superfície da Lua, ele pode carregar as crateras nos polos lunares com centenas de volts, de acordo com cálculos realizados pelo Instituto de Ciência Lunar da Nasa.

 

As crateras polares da Lua são interessantes por acusa de recursos , incluindo água congelada, que existem ali. A orientação da Lua em relação ao Sol mantém as crateras polares em sombra permanente, permitindo que as temperaturas caiam a menos de 240º C negativos, frio o bastante para aprisionar materiais voláteis por bilhões de anos.

 

"No entanto, nossa pesquisa indica que, além do frio extremo, astronautas e robôs no fundo das crateras terão de lidar com um ambiente elétrico complexo, que pode causar descargas estáticas", disse William Farrell, do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, principal autor do artigo sobre o assunto publicado no periódico  Journal of Geophysical Research.

 

A Lua mergulhando por trás da curva do horizonte terreste, em foto feita do espaço. Nasa

 

O vento solar que penetra as crateras pode erodir a superfície, o que afeta as moléculas de água recentemente descobertas. Descargas estáticas podem causar curtos-circuitos em equipamentos delicados, e poeira dotada de carga elétrica pode aderir a trajes espaciais e causar problemas.

 

O vento solar é um gás extremamente tênue de partículas eletricamente carregadas que sopra constantemente pelo espaço, partindo da superfície do Sol. Esse vento flui de forma quase horizontal pelos polos da Lua e ao longo do terminador, a região que separa aos hemisférios escuro e iluminado do satélite.

Os pesquisadores criaram simulações de computador para determinar o que ocorre quando o vento solar sopra pela borda das crateras.

 

Eles descobriram que, em alguns casos, ele se comporta como o vento comum na Terra, descendo pelos vales e pela base das crateras. Mas, como o vento solar transporta carga elétrica, ele pode carregar eletricamente as encostas diretamente abaixo do fluxo.

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