Maioria dos estudos com células-tronco usa células adultas ou iPS

Especialistas explicam que são alternativas que evitam as complicações éticas de trabalhar com embriões humanos

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2014 | 02h03

SÃO PAULO - A maioria das pesquisas com células-tronco no Brasil é feita com células adultas - obtidas, por exemplo, da medula óssea ou de tecido adiposo - ou com células de pluripotência induzida (iPS) - geneticamente reprogramadas para se comportarem como células embrionárias, com capacidade para se diferenciar em qualquer tipo de tecido do organismo.

São alternativas que evitam as complicações éticas de trabalhar com células de embriões humanos, cuja demanda foi bastante reduzida nos últimos sete anos, após a invenção das iPS.

"Não trabalho com células embrionárias. Já me ofereceram embriões várias vezes, mas no momento não estou fazendo nada com elas", diz a geneticista Mayana Zatz, pesquisadora do Instituto de Biociências da USP e coordenadora do Instituto Nacional de Células-tronco em Doenças Genéticas Humanas, que trabalha principalmente com células-tronco adultas.

O carioca Stevens Rehen, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da Rede Nacional de Terapia Celular do Ministério da Saúde, também disse não trabalhar com células embrionárias humanas. "Desconheço laboratórios de pesquisa no Rio que tenham usado embriões humanos para pesquisa", disse ele - surpreso, também, com os números do SisEmbrio.

Interesse. As células-tronco de embriões humanos continuam sendo de grande interesse para a ciência, principalmente para pesquisas básicas sobre diferenciação celular e desenvolvimento embrionário. Elas ainda são consideradas as células "padrão ouro", usadas como referência para pesquisas com iPS e outros tipos de células pluripotentes. Muitos projetos utilizam linhagens já estabelecidas, o que reduz a demanda por novos embriões. Para fins de aplicação em terapia celular, porém, as iPS são as mais promissoras atualmente.

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