Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Mais 29 professores da capital usam diplomas falsos para subir na carreira

Documentos enviados à Prefeitura de SP são cópias de documentos da Universidade São Marcos

Paulo Saldaña - O Estado de S.Paulo,

08 Março 2012 | 00h00

Vinte e nove professores da rede municipal de São Paulo buscaram melhores cargos e salários com diplomas falsos entre o fim de 2011 e o início de 2012. Além de terem encaminhado documentos fraudados quase ao mesmo tempo, todos se referiam à mesma instituição - levantando dúvidas sobre uma ação orquestrada para enganar a Prefeitura.

Esses docentes ainda dão aulas porque o processo da Prefeitura para exonerá-los ainda não foi finalizado. Eles se somam aos 19 casos de fraudadores revelados ontem pelo Estado. São docentes de várias Diretorias Regionais de Ensino (DRE). Todos prestaram concurso e têm habilitação para atuar em sala de aula.

Todos os diplomas desses novos casos são da Universidade São Marcos e têm a mesma característica: são cópias, sem registro na instituição. A Universidade São Marcos se diz vítima.

Pelo fato de a ação ter sido simultânea e com documentos de uma mesma instituição, a Secretaria Municipal de Educação encaminhou denúncia ao Ministério Público para que se apure a eventual ação de uma quadrilha.

A pasta quer que o MP inicie a apuração, ao mesmo tempo em que faz uma investigação interna, promovida pelo Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced), da Prefeitura. A denúncia está na 6.ª Promotoria Criminal do MP. Na segunda-feira deve ser designado o promotor.

Crime. O município também registrou, por meio das diretorias, boletins de ocorrência contra os 29 professores. O registro na polícia é recomendado pela secretaria para todos os casos de fraude, mas não há centralização de informações sobre os inquéritos.

No caso da professora R.S.G., de 53 anos, ela diz que não houve ocorrência criminal. A docente foi exonerada da rede municipal em 2005, após ter apresentado diploma falso.

Hoje dirigente de uma escola em Guarulhos, ela admitiu à reportagem que comprou um diploma de magistério - exigência do cargo para o qual havia sido selecionada em concurso.

Nova apuração. R.S.G. é um dos 19 casos revelados ontem pelo Estado de professores que apresentaram títulos falsos em escolas públicas de São Paulo. A reportagem resultou em nova investida do Ministério Público de São Paulo. A Promotoria do Patrimônio Público e Social vai apurar irregularidade na contratação e atuação de professores com diplomas falsos na rede pública de ensino relatadas pelo Estado. O procedimento foi distribuído ontem ao promotor Roberto Antonio de Almeida Costa.

A maioria dos docentes fraudadores permaneceu por poucos meses na rede municipal, mas há quem tenha dado aulas no município por até três anos - outros continuam nas redes estadual e de prefeituras vizinhas.

Na opinião do vereador Claudio Fonseca, diretor do sindicato de professores municipais, os casos prejudicam a rede e também os bons professores. "Os fraudadores prejudicam quem fez curso regular. Mas está cada vez mais difícil os golpistas se darem bem, principalmente na Prefeitura."

Estado teve casos em 2008. Dois funcionários do governo do Estado tentaram progredir na carreira com diplomas falsos e foram exonerados em 2008. Um diretor-geral do Centro de Detenção Provisória 1 (CDP) de Osasco (Grande São Paulo) e outro de Parelheiros, na zona sul da capital paulista, foram afastados por suspeita de falsificação de diploma de curso superior, exigido para a função. Eles já trabalhavam na Secretaria Estadual de

Administração Penitenciária (SAP) e mostraram títulos fraudados para assumirem cargos melhores. Ambos apresentaram certidão de conclusão de curso da Universidade Braz Cubas de Mogi das Cruzes (UBC).

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