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Mais de 16 milhões de chinesas são casadas com homossexuais, diz estudo

Efe

03 Fevereiro 2012 | 18h 38

Segundo sexólogo, uniões acontecem por pressão das famílias tradicionais; pesquisa aponta que estas mulheres estão expostas a contrair HIV, além de sofrer insatisfação sexual

Cerca de 16 milhões de mulheres chinesas aceitaram se casar com homossexuais chineses por pressão familiar porque, segundo os valores tradicionais das famílias chinesas, 90% dos homossexuais se casam, de acordo com um estudo publicado nesta sexta-feira, 3, no portal "China.org.cn".

O sexólogo Zhang Beichuan, especialista em temas sobre HIV da Universidade de Qingdao e autor do livro "Amor Homossexual" (1994), disse ao portal que estas mulheres estão expostas a contrair HIV, além da insatisfação sexual.

Elas também precisam carregar o peso de aceitar que seus maridos sejam homossexuais, "e lutam para aguentar uma situação que deveria ser reconhecida", afirmou Zhang.

Sites chineses como o "Terra das Esposas de Gays" e "Esposas de Gays em Ação", entre outros, oferecem serviços legais e psicológicos a todas as mulheres casadas com homossexuais.

Xiao Yao, criadora do primeiro site, com 1.200 usuários cadastrados, disse nesta sexta-feira à Agência Efe que o objetivo de seu portal é fornecer apoio às mulheres que se sentiram enganadas, "o que lhes tira a confiança em si mesmas e cria o medo de que o fato seja descoberto pelo resto da sociedade".

A idealizadora do site, que se divorciou de seu marido homossexual em 2008, afirmou que as mulheres que consultam sua página têm entre 20 e 60 anos.

"Algumas se deram conta do engano porque seus maridos não queriam ter relações sexuais ou porque após terem filhos começaram a ser rejeitadas, enquanto muitas só souberam da orientação de seus parceiros após muitos anos de casamento", acrescentou.

Xiao concordou com Zhang ao dizer que há pelo menos 16 milhões de mulheres chinesas casadas com homossexuais.

"Outra razão pela qual eles buscam se casar é para ter filhos, o que só pode ser feito segundo a tradição chinesa, ou seja, casando. Espero que isso deixe de prejudicar tantas pessoas inocentes", concluiu.

Na China, a homossexualidade foi considerada uma doença mental até 2001, quando começaram a surgir clínicas particulares para tratar aqueles que quisessem mudar de orientação.

Os tratamentos que supostamente "curam" a orientação sexual com o uso de remédios, e que na década de 1950 consistiam em usar descargas elétricas, são considerados uma fraude tanto pela comunidade homossexual chinesa quanto pelos sexólogos, pois o custo de meia hora de tratamento é de US$ 46.