Máquina que recria o Big Bang será religada com menos energia

O gigantesco acelerador de partículas construído para investigar as origens do universo será religado em novembro, com menos energia, disse na quinta-feira a entidade responsável pela pesquisa quinta-feira. A máquina havia quebrado dias depois da sua inauguração, no ano passado.

REUTERS

06 Agosto 2009 | 21h02

O anúncio da nova data representa mais um adiamento, já que a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (conhecida pela sigla Cern) havia anteriormente previsto a reativação para o outono boreal.

O chamado Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) é a maior e mais complexa máquina já construída, a um custo superior a 10 bilhões de francos suíços (9,4 bilhões de dólares). Inaugurada em setembro de 2008, apresentou um superaquecimento e teve de ser desligada nove dias depois. Suas experiências servem para recriar as condições que existiam logo depois do "Big Bang", explosão primordial que, segundo os cientistas, deu origem ao universo.

Em nota, o Cern disse que pretende religar a máquina com 3,5 teraelétron-volts (TeV) por feixe - uma energia menor que da primeira vez - "porque isso permite aos operadores ganharem experiência no funcionamento da máquina de forma segura, ao mesmo tempo em que abre uma nova região de descobertas para as experiências".

A energia ficará nesse nível "até que uma amostra significativa de dados tenha sido coletada e que a equipe de operações tenha ganho experiência na operação da máquina", declarou o Cern. "Portanto, com o benefício dessa experiência, a energia será elevada na direção dos 5 TeV por feixe."

O Grande Colisor contém um túnel circular de 27 quilômetros que corre subterraneamente nos arredores de Genebra. Rolf Heuer, diretor-geral do Cern, se empenhou em tranquilizar a população de que não haverá inconvenientes.

"O LHC é uma máquina muito melhor compreendida hoje do que há um ano", disse ele. "Podemos olhar para frente com confiança e animação de que haverá uma boa operação durante o inverno (boreal) e no ano que vem."

Os experimentos têm de acontecer apenas um pouco acima da temperatura de 0 absoluto (-273,15C), para recriar as condições que supostamente existiam no princípio do universo, 13,7 bilhões de anos atrás.

(Reportagem de Laura MacInnis)

Mais conteúdo sobre:
CIENCIA BIGBANG*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.