Giovana Girardi
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Marcha pela Ciência reúne cerca de mil pessoas na Avenida Paulista

Pela terceira vez no ano, pesquisadores e estudantes protestaram contra os cortes no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações, que deve receber em 2017 apenas 20% do necessário para fechar as contas do ano

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2017 | 20h42

Correções: 10/10/2017 | 18h16

Cerca de mil pesquisadores e estudantes se reuniram neste domingo, 8, na Avenida Paulista, região Central de São Paulo, para a 3ª Marcha pela Ciência. Eles pediam pelo fim dos cortes no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações, que deve receber em 2017 apenas 20% do necessário para fechar as contas do ano, conforme mostrou reportagem do Estado. Com isso, há a ameaça de que alguns institutos tenham de fechar as portas no ano que vem.

"Não estamos lutando por melhores salário, estamos lutando para poder trabalhar, para fazer ciência. Estamos lutando pelo Brasil", afirmou ao Estado durante a manifestação Helena Nader, ex-presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC).

A manifestação, convocada Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), juntamente com a SBPC e a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), reuniu professores, estudantes e simpatizantes de instituições como USP, Unicamp, Unesp, Instituto de Pesquisas Tecnológicas e PUC-SP, que partiram do Masp e marcharam por cerca de 1h40 pela avenida.

Com gritos de guerra como "sem ciência não tem futuro" e "1, 2, 3, 4, 5 mil, se corta a ciência não avança o Brasil", os manifestantes lembraram que sem ciência não há remédios - como viagra -, nem vacinas, e a agricultura não teria como avançar. Afirmaram que os cortes vão na contra-mão do que ocorre nos países desenvolvidos e também nos Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Em frente ao escritório da Presidência da República, entoaram "Fora Temer" e lembraram ao presidente da carta enviada a ele por 23 prêmios Nobel. O documento, enviado no final de setembro, alertou o presidente de que os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia "comprometem seriamente o futuro do Brasil" e precisam ser revistos "antes que seja tarde demais".

Esta é a terceira vez que cientistas vão às ruas neste ano para pedir que parem os cortes no setor, mas pela primeira vez reuniu tantas pessoas. A chuva que estava prevista para esta tarde não ocorreu, e o público animado se misturou aos paulistanos já acostumados a tomarem a Paulista aos domingos.

Acompanhamos a marcha ao vivo, veja a seguir alguns trechos:

 

Correções
10/10/2017 | 18h16

A reportagem incorretamente deixou de informar que a convocação da marcha foi feita pela Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp). O texto foi corrigido.

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