REUTERS/NASA
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Matéria orgânica é encontrada em planeta-anão do Sistema Solar

Descoberta em Ceres faz com que corpo celeste se junte à lista de planetas (como Marte) e de satélites próximos da Terra que poderiam ter desenvolvido a vida

O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2017 | 23h35

Uma equipe internacional de pesquisadores descobriu que o planeta-anão Ceres contém restos orgânicos alifáticos - compostos químicos capazes de desenvolver vida - e determinou que este material não procede de fora do asteroide, mas se formou nele.

Segundo a equipe, liderada por María Cristina De Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica de Roma (Itália), estes compostos se formaram no planeta porque se tivessem chegado até ele após Ceres se chocar com algum objeto cósmico o calor extremo do impacto os teria destruído.

Uma vez que Ceres abriga grande quantidade de água e ainda pode reter calor de seu período de formação, é muito provável que estes compostos orgânicos se desenvolveram no interior do corpo planetário, conclui o estudo publicado nesta quinta-feira, 16, na revista Science.

A descoberta serviu a Michael Küppers, da Agência Espacial Europeia (ESA), de base para outro artigo que também foi publicado nesta quinta na Science e que, com o título "Ceres, o planeta anão e os ingredientes da vida", põe em perspectiva as recentes descobertas de moléculas complexas e água no planeta-anão.

Küppers lembra que as condições de formação da Terra são pouco compatíveis com a formação da vida, motivo pelo qual se considera a possibilidade de que os componentes orgânicos que deram lugar à vida em nosso planeta procederam de cometas ou asteroides que impactaram com a Terra.

E ainda que até agora tudo era teoria, nos últimos anos cada vez há mais provas que demonstram a presença de água no cinturão de asteroides, a região do Sistema Solar na qual orbita Ceres (o maior objeto do cinturão com 945 quilômetros de diâmetro).

Estudos recentes como o do cometa 67P/Churymov-Gerasimenko realizado pela nave Rosetta, ou o de Ceres, desenvolvido pela sonda espacial Dawn, proporcionaram novas provas de que as moléculas orgânicas complexas - e inclusive os aminoácidos - estão em todos os corpos pequenos do Sistema Solar e que o gelo está presente em todo o cinturão de asteroides.

Entre outras descobertas, foi detectada uma nuvem de vapor de água ao redor de Ceres, provavelmente provocada pela sublimação do gelo na superfície do planeta, um fato até então nunca visto em um objeto grande do cinturão de asteroides (era uma característica típica dos cometas).

Achados como este prepararam o cenário para a chegada de Dawn, que desde 2015 orbita o planeta Ceres e mapeia sua superfície.

Graças a seus equipamentos esta nave da Nasa proporcionou provas convincentes de que o gelo está globalmente distribuído por todo o subsolo, a menos de um metro abaixo da superfície nas regiões quentes equatoriais e muito próximo da superfície (ou mesmo na superfície) nas regiões polares.

Entretanto, a capa de gelo - estimada em 10% da superfície - não pode explicar o vapor de água observado em Ceres porque as temperaturas na camada são muito baixas para a sublimação substancial do gelo.

O estudo da equipe de Maria Cristina defende que os impactos menores de outros corpos expõem o gelo à superfície e poderiam criar atividade esporádica.

Apesar disso, ainda há dúvidas sobre quais processos físicos estão detrás da sublimação de gelo e da nuvem de vapor que emerge da superfície de Ceres.

De qualquer modo, a descoberta de compostos químicos alifáticos faz com que Ceres se junte à lista de planetas (como Marte) e de satélites planetários que poderiam ter desenvolvido a vida dentro do Sistema Solar. /EFE

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