MCTI deverá pedir empréstimo no exterior para compensar cortes, diz Aldo Rebelo

Ministro afirmou ainda que tentará contornar contingenciamento incluindo no PAC grandes obras de infraestrutura científica 

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 23h04

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deverá pedir empréstimos em linhas internacionais de financiamento à pesquisa e tentará incluir no PAC grandes obras de infraestrutura científica, de acordo com o titular da pasta, Aldo Rebelo (PCdoB). De acordo com o ministro - que participou nesta sexta-feira, 17, de um encontro com a diretoria do Instituto Butantã, em São Paulo - essas e outras medidas serão necessárias para recompor o orçamento do MCTI, depois que o ajuste fiscal provocou cortes profundos nos recursos do setor. 

Segundo Rebelo, o MCTI tentará também recuperar fundos provenientes do pré-sal, já que a regulamentação da partilha dos royalties deixou de fora o setor. "Se não tivéssemos perdido os recursos dos fundos do petróleo, teríamos R$ 1,6 bilhão a mais. Eu não entendo por que a regulamentação do pré-sal incluiu Educação e Saúde e excluiu ciência, tecnologia e inovação. Só o corporativismo explica isso - um corporativismo muito pequeno na comunidade científica e muito grande na outras", disse Rebelo. 

De acordo com ele, o ministério terá como prioridade reverter o contingenciamento na área. "Temos razões para lutar por isso. Contingenciar a ciência é contingenciar o desenvolvimento. O avanço da saúde só é possível com investimentos em pesquisa", discursou.

O MCTI também deverá pela primeira vez buscar recursos fora do Brasil, de acordo com o ministro. "O MCTI é o único ministério que não tem empréstimos em linhas internacionais de financiamento. Vamos buscar esses recursos. Também vamos estimular os governos estaduais a não contingenciar seus recursos para ciência, oferecendo a eles investimentos federais com contrapartidas", declarou.

Outra saída para reduzir os impactos dos cortes orçamentários da pasta, segundo Rebelo, consistirá em incluir nas obras do PAC alguns grandes projetos de infraestrutura científica, como o Sírius, o novo acelerador de partículas que está sendo construído no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas. "O MCTI não tem uma obra sequer no PAC. Obras de infraestrutura como o Sírius são investimentos que podem ser naturalmente vinculados ao PAC", declarou.

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