Missa para 250 mil inaugura pontificado

Francisco recebe anel de pescador e pálio, símbolos do poder papal, na Praça São Pedro

José Maria Mayrink, enviado especial de O Estado de S. Paulo

18 Março 2013 | 22h40

VATICANO - O papa Francisco, eleito dia 13, celebra missa solene nesta terça-feira, 19, na Praça São Pedro para marcar oficialmente o início do mandato petrino, ou inauguração do pontificado, como sucessor de Bento XVI, que renunciou em 11 de fevereiro e deixou suas funções no dia 28. Cerca de 250 mil pessoas, pelos cálculos do Vaticano, deverão assistir à cerimônia, que vai durar de uma hora e meia a duas horas.

Até na tarde desta segunda-feira, 18, 132 delegações oficiais chefiadas por reis, chefes de Estado, de governo ou seus representantes haviam confirmado presença. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, informou que a Santa Sé não convida os países, mas comunica a realização da cerimônia. "Quem quiser vir será bem-vindo", afirmou.

A missa se iniciará às 9h30 (horário local, 5h30 em Brasília) e será celebrada em frente da Basílica de São Pedro. A previsão do tempo promete dia de céu limpo, com temperatura entre 7 e 14 graus - ontem, choveu até o início da tarde. O papa, os concelebrantes e autoridades terão a proteção de toldos.

Francisco sairá da Casa Santa Marta, dentro do Vaticano, às 8h50 e entrará de papamóvel na Praça São Pedro pelo portão da direita, para quem olha a Basílica de frente. Fará então um longo giro pelas ruas ou passarelas que separam os quadrados cercados por cavaletes destinados aos fiéis e turistas. Às 9h15, o papa se dirigirá à sacristia, ao lado da capela de La Pietá, de Michelangelo, para vestir os paramentos litúrgicos. Acompanhado de 10 patriarcas, 4 deles cardeais, chefes de igrejas orientais católicas ligadas a Roma, Francisco irá até o Altar da Confissão, ou Túmulo de São Pedro, de onde sairá a procissão para a missa. Todos os cardeais presentes em Roma participarão da procissão. Dois diáconos levarão o anel do pescador e o pálio, uma espécie de estola de lã de carneiro, símbolos do poder papal, que Francisco receberá antes de começar a missa.

Dois coros entoarão as Laudes Regiae, uma ladainha de todos os santos, entre os quais são nomeados os 17 papas que foram canonizados, de São Xisto I a São Pio X, para pedir intercessão pelo êxito do pontificado que se inicia. Antes do início da celebração da missa, o protodiácono, cardeal Jean-Louis Tauran, o mesmo que anunciou o Habemus Papam na quarta-feira, coloca o pálio nos ombros de Francisco.

Depois, o cardeal decano, Angelo Sodano, põe o anel do pescador no dedo do papa. O pálio simboliza o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas e o anel lembra Pedro, o pescador, a quem Jesus Cristo confiou o governo da Igreja.

Missa. O altar e as áreas destinadas aos convidados ficam no Sagrado, de nível plano, onde São Pedro teria sido martirizado, no Circo de Nero. Os concelebrantes são 180 - os cardeais e os superiores gerais da Companhia de Jesus, a qual o papa Bergoglio pertence , e da Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), fundada por São Francisco de Assis, no qual ele se inspirou para adotar o nome Francisco.

A missa solene será celebrada em latim, com exceção das leituras. O Evangelho será lido ou cantado apenas em grego, e não em latim e grego, como tradicionalmente nessa cerimônia. A primeira leitura, do segundo livro de Samuel, será feita em inglês, e a segunda, da carta de Paulo aos romanos, em espanhol. Nas orações do ofertório, as petições serão em russo, francês, árabe, swahili (língua africana) e chinês.

O papa não dará a comunhão , que será distribuída por 500 sacerdotes. Depois da celebração, Francisco, irá para junto do Altar da Confissão, o túmulo de São Pedro, onde receberá os cumprimentos dos chefes das delegações estrangeiras.

O porta-voz do Vaticano alertou os jornalistas para a homilia da inauguração do pontificado, que o papa fará após a leitura do Evangelho. "Vamos distribuir o original, em italiano, antes da missa, mas aconselho prestar atenção, porque embora o texto tenha sido escrito por Francisco, ele já mostrou que gosta de improvisar", disse Lombardi.

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