Mundo tem 1,1 bilhão de católicos, maioria na América Latina, África e Ásia

Mapa-múndi do catolicismo sofreu mudanças radicais: em 1910, a Europa tinha 70% dos católicos; hoje tem apenas 23%

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

13 Março 2013 | 15h08

CIDADE DO VATICANO - Em dois mil anos de história, o mapa-múndi do catolicismo sofreu mudanças radicais. Mas poucas foram tão dramáticas como a transformação dos últimos cem anos. Dados do projeto Pew Fórum sobre Religião e Vida Pública revelam que, se em 1910 a Europa tinha 70% dos católicos do mundo, hoje tem apenas 23%.

Em números absolutos, a população de católicos no mundo quadruplicou em um século. Em 1910, eram 291 milhões. Hoje, são 1,1 bilhão.

Mas nem em todas as partes do mundo os dados apontam uma expansão. A Europa, sede da Santa Sé, e a América do Norte abrigam hoje apenas 32% dos católicos do mundo - menos de um terço. A constatação é de que o catolicismo é menos eurocêntrico e mais global do que nunca.

Dois terços dos fiéis da Igreja estão agora na América Latina, África e Ásia. Na América Latina, o número absoluto passou de 70 milhões para 425 milhões de católicos em cem anos, 45% do total. Na Ásia, o número subiu de 14 milhões para 131 milhões.

A maior explosão, porém, foi na África. O continente tinha cerca de 1 milhão de fiéis em 1910 (1% do total mundial). Hoje, são 171 milhões (16%).

Os dados também apontam para uma mudança importante no ranking dos principais países católicos do mundo. Em 1910, o maior deles era a França, com 40 milhões de pessoas, seguido pela Itália com 35 milhões. O Brasil aparecia em terceiro, com 21 milhões, comparado a 16 milhões na Alemanha e 14 milhões, no México.

Em 2010, o Brasil se consolidou como o maior país católico do mundo, com 126 milhões de fiéis - ainda que o número proporcional de católicos no País tenha caído de 96% da população para 65%.

A segunda posição hoje é do México, com 96 milhões, seguido pelas Filipinas e pelos Estados Unidos, cada um com 75 milhões. Pela primeira vez, um país africano entrou na lista dos dez maiores. Na República Democrática do Congo já há 31 milhões de católicos.

Se a queda na Europa foi acentuada, o instituto de pesquisas insiste que a queda no número de europeus católicos se estabilizou desde 2005, quando Joseph Ratzinger foi eleito papa, ainda que em níveis muito baixos do que era cem anos atrás. Naquele momento, o papa colocou a Europa como sua prioridade, escolhendo até mesmo o nome de Bento, em uma homenagem ao padroeiro do Velho Continente.

Ainda assim, os números revelam como a religiosidade está marginalizada na região. Apenas uma minoria aponta que a fé é ainda importante em suas vidas.

Na França, a taxa é de apenas 15%. Na Espanha, isso chega a 30%, comparado a 27% na Itália. Na Alemanha, o número chegou a subir com a eleição de Bento XVI, passando de 36% para 52%. Mas, já em 2007, o número tinha caído de novo para 37%.

Apenas 10% dos franceses que se dizem católicos vão às missas, comparado a 24% dos espanhóis. Há menos de dez anos, a taxa na Espanha era de 31%.

O Pew Fórum sobre Religião e Vida Pública é um projeto do Centro de Pesquisas Pew, em Washington.

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